Reprodução/ChatGPT

Cientistas estão usando a Starlink para tornar o ‘tráfego’ de satélites mais seguro

É possível extrair dados valiosos a partir da constelação de Elon Musk.

Goodanderson Gomes
3 min de leitura

Para funcionar e entregar internet com qualidade, a Starlink depende de uma constelação composta por milhares de satélites da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk.

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Porém, além do seu propósito comercial, esse cinturão de objetos flutuantes pode ter ganhado um papel bastante relevante para a ciência.

Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, monitorou a posição de 1200 satélites da Starlink para mapear a densidade atmosférica à sua volta. E os resultados surpreenderam.

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A chamada termosfera fica a centenas de quilômetros acima de nós. Esse pedaço da atmosférica é composto quase que inteiramente por gás eletricamente neutro, o que torna a medição direta um baita desafio para os cientistas.

O grande problema é que, mesmo nessa altitude extrema (por volta dos 500 km), o ar continua denso o suficiente para desacelerar satélites por causa do atrito.

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Para contornar essa barreira, os pesquisadores japoneses resolveram adaptar uma técnica bem conhecida da medicina: a tomografia computadorizada. A lógica foi simples, mas bastante engenhosa.

Em vez de depender de sensores tradicionais, o grupo pegou dados orbitais públicos de 1200 satélites da Starlink e mediu o impacto exato da resistência do “ar cósmico” na velocidade de cada um.

Com essa sacada, a equipe construiu o primeiro mapa bidimensional em tempo real da variação horizontal da termosfera.

E para ter certeza de que não estavam se confundindo, os cientistas cruzaram as informações com leituras dos satélites SWARM, da Agência Espacial Europeia. O resultado bateu certinho.

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Resultados que vão além do benefício próprio

Com o espaço cada vez mais entulhado por milhares de novos equipamentos lançados todos os anos, mapear o ar lá em cima deixou de ser só curiosidade teórica. Virou questão de sobrevivência espacial.

Saber a densidade exata dessa camada permite calcular a rota dos satélites com muito mais precisão. Na prática, isso evita manobras desnecessárias e reduz bruscamente o risco de acidentes e colisões em órbita.

Além do ganho de segurança imediato, o método deve trazer outros avanços importantes no futuro:

  • Monitoramento em tempo quase real das mudanças súbitas na alta atmosfera;
  • Previsões mais certeiras sobre os impactos do clima espacial e tempestades solares;
  • Proteção ampla para frotas de qualquer empresa ou agência espacial, e não só da SpaceX.

Como pontuou Mamoru Yamamoto, que liderou a pesquisa em Kyoto, a descoberta só saiu do papel graças à união entre ciência básica e engenharia, um diálogo cruzado que deve deixar o tráfego lá no alto bem mais seguro daqui para frente.

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