Quase dois meses após o seu IPO histórico, considerado o maior de todos os tempos, a SpaceX fez a sua primeira divulgação pública de resultados.
Esse tipo de relatório é inerente a empresas de capital aberto, categoria aderida pela empresa de Elon Musk com sua entrada nas Bolsas de Valores norte-americanas.
Porém, o que realmente chamou atenção nessa divulgação foi a confirmação de um “fato tácito” sobre a SpaceX: a Starlink, sua subsidiária de internet via satélite, é realmente a alma desse negócio.
Starlink: a “joia da coroa”
Se alguém ainda duvidava de quem realmente paga as contas no império de Elon Musk, o relatório do 2º trimestre encerrou o debate. A Starlink não é só um braço do negócio, ela é a espinha dorsal financeira da SpaceX.
O setor de conectividade faturou US$ 3,82 bilhões no período. Foi um salto de crescimento impressionante: subiu de 31,6% no primeiro trimestre para 52,6% agora, puxado pela expansão internacional. O lucro operacional acompanhou o ritmo e bateu US$ 1,42 bilhão.
Mas há uma ressalva no caminho.
Apesar de fechar o trimestre anterior com 10,3 milhões de clientes, a receita média por usuário (ARPU) caiu quase 25% no ano. Para ganhar mercado rápido, a empresa precisou brigar no preço.
O recado é claro: sem o caixa forte da Starlink, os projetos mais ousados da SpaceX simplesmente não saem do papel.
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No consolidado geral, a SpaceX fechou o trimestre com receita de US$ 6,88 bilhões e prejuízo de US$ 0,23 por ação.
O motivo da conta no vermelho tem nome: investimentos pesados. A divisão de Inteligência Artificial sozinha queimou US$ 10,2 bilhões em capex (seis vezes mais do que no ano passado). A receita de IA até subiu para US$ 2,33 bilhões, mas a conta pesou.
Enquanto isso, a divisão Espacial, dos foguetes Falcon e do programa Starship, continua deficitária. A expectativa do mercado é que ela só dê lucro a partir de 2026.
Ainda assim, a barreira de entrada da SpaceX é gigantesca. Nenhum rival no mundo consegue replicar a reutilização da classe Starship.
Com o fim do lock-up em agosto liberando milhões de ações, o mercado deve oscilar bastante. Mas para quem olha o longo prazo, a aposta continua sendo no monopólio do transporte espacial do futuro.












