A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi chamada a intervir em um conflito entre operadoras. De um lado a Vivo e de outro um grupo de teles que têm reclamado do seu serviço anti-Spam.
Um grupo composto por TIM, Algar, IDT Telecom e a Adyl Telecom, reclama de que o serviço de repressão a chamadas invasivas da Telefônica Brasil tem bloqueado ligações legítimas de seus sistemas.
A Vivo se defende, dizendo que a ferramenta de bloqueio só funciona para a sua própria base de clientes. Entenda melhor essa “treta”!
TIM, Algar, IDT e Adyl na bronca com a Vivo
Antes de entrar na polêmica, vale entender o que é o Vivo Anti-Spam. Trata-se de uma ferramenta gratuita que a Telefônica Brasil lançou em novembro de 2024 e, devido à alta adesão, expandiu de forma automática para toda a sua base móvel.
O sistema roda em segundo plano e usa algoritmos para identificar e barrar chamadas inconvenientes ou feitas por robôs de discagem. O problema é que o filtro parece estar calibrado demais, o que acabou gerando uma enxurrada de queixas na Anatel.
A reclamação mais pesada partiu da Adyl Telecom, que abriu o jogo no dia 11 de junho. Segundo a empresa, desde o início do mês, cerca de 700 chamadas legítimas por dia deixam de ser completadas para clientes da Vivo.
A Adyl alega que até números de hospitais e de serviços internos da própria operadora foram bloqueados, mesmo operando em total conformidade e utilizando o STIR/SHAKEN — aquela tecnologia que autentica a identidade de quem está ligando.
Além disso, operadoras como a TIM alegam restrições indevidas em suas redes, enquanto fontes do setor apontam que centrais de alarme e empresas de logística também viraram “vítimas colaterais” do robô da Vivo. A principal crítica do grupo é a falta de transparência nos critérios de bloqueio e a ausência de um canal ágil para corrigir esses erros.
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Por enquanto, a Anatel prefere manter a cautela. Fontes de dentro da agência informaram que a situação está sendo analisada de forma isolada, caso a caso, e que ainda não há um diagnóstico de pane generalizada.
O órgão regulador quer entender se o imbróglio é apenas um ajuste técnico no sistema anti-Spam ou se configura uma conduta intencional de bloqueio de interconexão entre as redes.
A resposta da Vivo
Do outro lado da linha, a Vivo rebate as acusações e garante que o seu sistema é seguro. A operadora defende que o foco da ferramenta é puramente proteger o consumidor contra o spoofing (quando golpistas mascaram o número de origem) e chamadas massivas de alta escala que mudam de número o tempo todo.
Segundo a Telefônica, o tráfego de empresas legítimas que andam na linha e usam os padrões de autenticação não é afetado. A companhia foi categórica ao afirmar que “apenas serão bloqueadas as empresas que realizam chamadas massivas e sem identificação”.
Para acalmar os ânimos, a Vivo lembrou que existe um canal de contestação em seu portal para que qualquer empresa que se sinta prejudicada solicite a revisão do bloqueio.
Em paralelo, a operadora reforçou seu compromisso com a segurança do ecossistema, afirmando que apoia a meta de implementar a autenticação STIR/SHAKEN em 100% das chamadas entre operadoras ainda neste ano de 2026.
Com os ânimos exaltados no mercado, o próximo capítulo dessa disputa já tem data marcada. A Anatel convocou uma reunião de conciliação de emergência entre a TIM e a Vivo para o próximo dia 18 de junho.
O desfecho desse encontro deve ditar se o combate ao telemarketing abusivo continuará nas mãos de critérios privados das operadoras ou se exigirá uma rédea bem mais curta do órgão regulador.












