A TIM deu mais um passo em direção à sua venda nesta quinta-feira (28), após uma reunião formal entre executivos da Poste Italiane e o conselho de administração da Telecom Italia. O encontro foi realizado na Itália com o objetivo de apresentar os termos da oferta pública voluntária de aquisição colocada à mesa em março deste ano, avaliada em €10,8 bilhões.
O CEO da Poste Italiane, Matteo Del Fante, acompanhado pelo CFO Camillo Greco e pelo diretor-geral Giuseppe Lasco, compareceu pessoalmente para expor ao conselho e aos auditores estatutários da TIM as condições da proposta. A TIM destacou que o encontro foi exclusivamente para fins informativos, mas reconheceu tratar-se de uma etapa formal relevante na construção da relação entre as duas empresas.
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PRAZO CONFIRMADO PARA O TERCEIRO TRIMESTRE
Durante a reunião, Del Fante confirmou à diretoria que a Poste mantém a expectativa de concluir a operação até o terceiro trimestre de 2026. A data já havia sido sinalizada quando a companhia divulgou seus resultados do primeiro trimestre em maio, mas a formalização diante do conselho reforça o comprometimento da estatal com o cronograma, conforme já antecipado.
Para que o negócio avance dentro do prazo, uma série de etapas precisam ser cumpridas. Veja o que ainda está por vir:
- Obtenção de autorizações regulatórias junto às autoridades supervisoras do setor financeiro e de concorrência, incluindo o órgão antitruste italiano, que abriu investigação sobre a operação
- Publicação do documento final da oferta, com todos os termos consolidados e aprovados pelas autoridades competentes
- Abertura do período de aceitação pelos acionistas, dividido em janelas de tempo precisas para que cada investidor decida se vende ou troca seus papéis
OFERTA E DIVISÃO DE ANALISTAS
A proposta prevê pagamento misto aos acionistas da TIM: €0,167 em dinheiro mais 0,0218 novas ações da Poste por cada papel da operadora, totalizando €0,635 por ação. Esse valor representou um prêmio de aproximadamente 9% sobre o preço de fechamento registrado em março. Desde então, os papéis subiram e estão sendo negociados na faixa de €0,73, acendendo o debate sobre se a oferta ainda é vantajosa.
As opiniões do mercado estão divididas. A Morningstar classificou a proposta como mais do que justa e estimou, em março, cerca de 75% de chance de sucesso. Já analistas do Barclays apontaram que o valor ofertado não captura o pleno potencial da TIM neste momento, citando a consolidação do mercado italiano e os resultados da FiberCop como fatores que poderiam elevar o valor da companhia no médio prazo.
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IMPACTO PARA A TIM BRASIL
A conclusão da operação teria reflexos diretos no Brasil. A TIM Brasil, listada na B3 sob o ticker TIMS3, é controlada indiretamente pelo Grupo TIM. Uma aquisição bem-sucedida pela Poste Italiane colocaria a operadora italiana sob controle estatal pela primeira vez em três décadas, desde sua privatização nos anos 1990, e poderia influenciar os rumos estratégicos da subsidiária brasileira.
Por ora, não há indicações de que a TIM vai pressionar por um aumento no preço da oferta. O mercado acompanha o processo com atenção, e o terceiro trimestre de 2026 deve trazer a resposta definitiva sobre o futuro da operadora.












