A TIM (Telecom Italia) anunciou oficialmente a rescisão de seu contrato com a towerco INWIT, empresa italiana de infraestrutura de torres de telecomunicações. A decisão foi comunicada nesta segunda-feira (30) e faz parte, segundo a operadora, de um esforço contínuo para otimizar sua base de custos de infraestrutura. A medida coloca a TIM ao lado da Fastweb+Vodafone, que também notificou a INWIT sobre o encerramento de seu acordo.
Leia mais:
- Vivo anuncia Rodrigo Monari como novo CFO
- A loja da TIM virou paraíso gamer para os fãs de PlayStation
- Estatal italiana quer comprar a dona da TIM por US$ 12,5 bi
POR QUE A TIM QUER SAIR DO CONTRATO
A TIM reconheceu que uma opção contratual prevista em seu Acordo de Serviços Mestre (MSA) foi exercida em 2022, mas apresenta três argumentos centrais para justificar a saída:
- O contrato seria válido apenas até agosto de 2030, não até 2038 como a INWIT defende
- Caso se comprove que a opção foi ativada em dezembro de 2020, a rescisão poderia ocorrer já em março de 2028
- Os custos de infraestrutura cobrados pela towerco prejudicam a capacidade de investimento da operadora
A Fastweb+Vodafone, controlada pela Swisscom, foi ainda mais direta ao justificar sua saída, acusando a INWIT de praticar “preços acima do mercado” e de se recusar a negociar condições compatíveis com os padrões do setor.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
A RESPOSTA DA INWIT
A towerco rebateu duramente as alegações, afirmando que o aviso de rescisão não tem fundamento legal. Veja os principais pontos da resposta da empresa:
- O MSA está em vigor até 2038, pois a opção de extensão de 16 anos foi acionada em agosto de 2022
- As tarifas cobradas são “extremamente competitivas e bem abaixo da média europeia”
- O contrato inclui direitos exclusivos de reserva de espaço e, em alguns casos, direito de veto sobre compartilhamento com terceiros
- A empresa está preparada para defender sua posição “em todas as instâncias legais competentes”
Sobre as acusações de recusa em negociar feitas pela Fastweb+Vodafone, a INWIT afirmou o oposto: diz ter feito diversas tentativas de diálogo, inclusive oferecendo arbitração formal, mas foi a Swisscom quem recusou.

A NOVA TOWERCO E O FUTURO DO 5G
O conflito ganhou uma nova dimensão no início de março, quando TIM e Fastweb+Vodafone anunciaram a criação de uma joint venture para formar uma nova empresa de torres. O objetivo declarado é acelerar a implantação do 5G com a construção de 6.000 novos sites no país.
A INWIT, no entanto, descartou a viabilidade do projeto com números contundentes:
| Fator | Dado |
|---|---|
| Torres da INWIT em operação | 26.000 sites |
| Torres necessárias para substituição | Mínimo de 15.000 |
| Tempo estimado de construção | Ao menos 30 anos |
| Custo adicional estimado | 2 bilhões de euros |
| Emissão extra de CO2 | 500.000 toneladas |
Para a towerco, a duplicação de infraestrutura “não tem lógica industrial, econômica ou ambiental” e atrasaria justamente o avanço do 5G que as operadoras dizem querer acelerar.
O QUE ESTÁ EM JOGO
No mercado italiano de torres, a rival Cellnex já opera cerca de 23.000 torres no país e pode se tornar um destino alternativo para as operadoras caso a ruptura com a INWIT se consolide. O desfecho desta batalha, que mescla estratégia comercial, pressão por renegociação e ameaças judiciais, ainda está longe de ser definido.
Para o setor de telecomunicações brasileiro, o caso serve como referência sobre os desafios do compartilhamento de infraestrutura passiva — tema cada vez mais relevante no Brasil, onde operadoras como TIM Brasil, Claro e Vivo também dependem de acordos com towercos para expandir suas redes 4G e 5G.












