Reprodução/ChatGPT

O Spotify vai acabar? Especialistas revelam o futuro do streaming

Cristino Melo
5 min de leitura

O debate sobre o futuro do Spotify e das plataformas de streaming musical ganhou força em 2026 com declarações de especialistas do setor. Jimmy Iovine, cofundador da Beats Electronics, afirmou em entrevista ao podcast Founders que os serviços de streaming estão “a minutos de se tornarem obsoletos”. O motivo, segundo ele, seria o desalinhamento estrutural entre os interesses dos artistas e os das plataformas.

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Joel Gouveia, supervisor musical e empresário artístico, aprofundou a crítica em publicação na plataforma Substack. Para ele, o problema vai além do discurso: é estrutural, financeiro e difícil de resolver sem uma reinvenção completa do modelo.

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UM MERCADO SEM DIFERENCIAÇÃO

Para Gouveia, o problema central do streaming de música é a ausência de diferenciação entre os serviços. Ao contrário do streaming de vídeo, onde cada plataforma possui conteúdo exclusivo, o áudio opera em um oceano de igualdade. Veja a comparação:

Plataforma de vídeoDiferencial exclusivo
NetflixStranger Things, séries originais
HBO MaxThe Last of Us, produções próprias
Disney+Marvel, Star Wars, Pixar
Plataforma de áudioDiferencial exclusivo
SpotifyNenhum — catálogo de 100 mi de músicas
Apple MusicNenhum — catálogo de 100 mi de músicas
Amazon MusicNenhum — catálogo de 100 mi de músicas
TidalNenhum — catálogo de 100 mi de músicas

A ausência de diferenciação torna a guerra de preços quase inevitável e reduz o poder de fidelização das plataformas de áudio.

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O PROBLEMA DOS CUSTOS VARIÁVEIS

No streaming de música, aproximadamente 70% de toda a receita é repassada a gravadoras, editoras e detentores de direitos. A cada reprodução, há um custo proporcional ao consumo. No streaming de vídeo, o raciocínio é inverso: um filme produzido por US$ 20 milhões tem o mesmo custo de produção independentemente de ser visto por 1 milhão ou 100 milhões de pessoas, o que expande a margem com o crescimento da audiência. No streaming de áudio, o lucro simplesmente não escala da mesma forma, e quem sente o impacto primeiro são os artistas.

Imagem: Cheng Xin via Getty Images/Reprodução

GIGANTES DA TECNOLOGIA LEVAM VANTAGEM

Essa pressão estrutural afeta mais o Spotify do que seus concorrentes ligados a grandes ecossistemas de tecnologia. Para Apple, Amazon e Google, a música funciona como produto complementar, não como core do negócio:

  • Amazon Music mantém usuários dentro do ecossistema Prime
  • Apple Music reforça o valor percebido dos iPhones e dispositivos da marca
  • YouTube Music integra a Alphabet, que já monetiza o consumo via publicidade
  • Spotify precisa ser lucrativo por conta própria, sem negócio paralelo para subsidiar margens

Essa assimetria comprime as margens do Spotify e, em cascata, reduz a remuneração repassada aos artistas, alimentando o ciclo de críticas ao modelo.

OS NÚMEROS CONTRADIZEM O PESSIMISMO

Apesar das críticas, os dados mais recentes do Spotify apontam na direção oposta. No quarto trimestre de 2025, a plataforma atingiu 751 milhões de usuários ativos mensais, crescimento de 11% em relação ao ano anterior, registrando o maior crescimento trimestral líquido da história da empresa. A base de assinantes Premium chegou a 290 milhões, alta de 10%. Para o primeiro trimestre de 2026, a projeção é de 759 milhões de usuários ativos e 293 milhões de assinantes pagos.

Os co-CEOs Alex Norström e Gustav Söderström classificaram 2026 como o “ano de elevar a ambição”, com foco em inteligência artificial e tecnologia de áudio. O fundador Daniel Ek reforçou a visão de transformar o Spotify em um hub de música, podcasts, audiobooks e vídeo, uma estratégia que pode ser justamente a resposta ao gargalo estrutural apontado pelos críticos.

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O RESTANTE DO MERCADO TAMBÉM AVANÇA

O crescimento robusto não é exclusivo do Spotify. Os demais grandes players também registraram avanços expressivos:

  • YouTube Music / Alphabet: superou US$ 60 bi em receita total em 2025, alta de 17%, com mais de 325 milhões de usuários pagos combinados
  • Apple Music: segmento de serviços atingiu receita recorde, com crescimento de 14% no último trimestre
  • Amazon Music: receita de assinaturas digitais chegou a US$ 13,1 bilhões no Q4 2025, alta de 14%

Na prática, o mercado cresce mesmo que o modelo financeiro seja questionável no longo prazo.

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