Flavia Carpio/Unsplash

Claro quer dobrar sua presença na Colômbia com aquisição de fibra óptica

Cristino Melo
4 min de leitura

A America Movil, controladora da Claro, confirmou na última sexta-feira (13) que protocolou um pedido de pré-avaliação junto à Superintendência de Indústria e Comércio (SIC), o órgão antitruste da Colômbia. O objetivo é avaliar a possível aquisição de ativos de telecomunicações do Grupo Salinas.

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A operação envolveria a compra da Azteca Comunicaciones, detentora de uma extensa rede de fibra óptica no território colombiano. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão da empresa mexicana na América Latina.

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O QUE ESTÁ EM JOGO NA AQUISIÇÃO

A proposta inclui duas redes de fibra óptica de grande porte:

  • Rede PNFO (Projeto Nacional de Fibra Óptica): construída com recursos do Fundo TIC colombiano, com aproximadamente 20.000 km, abrangendo 900 municípios
  • Rede ACC: cerca de 12.000 km, também operada pela Azteca Comunicaciones

Juntas, as duas redes somam mais de 32.000 quilômetros de infraestrutura — cobrindo cerca de 83% do território colombiano.

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POR QUE A CLARO QUER O ATIVO

A empresa justifica o interesse com base em critérios operacionais, não comerciais. Em comunicado, a America Movil afirmou:

“Para a Claro, a avaliação desta integração é motivada principalmente pelo potencial de gerar sinergias operacionais que estabilizariam e manteriam essa infraestrutura, que atualmente apresenta falhas que impactam a qualidade do serviço.”

A companhia acrescenta que, “embora não seja um ativo comercialmente atrativo, seu funcionamento adequado é crucial para garantir a continuidade da conectividade em áreas onde atualmente não existem alternativas de rede.”

CONTEXTO: O GRUPO SALINAS VENDE ATIVOS

O Grupo Salinas, do bilionário mexicano Ricardo Salinas, vive um momento de monetização de ativos. Isso ocorre após o conglomerado concordar em pagar cerca de US$ 1,9 bilhão ao governo mexicano para encerrar uma disputa tributária de quase uma década.

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A Azteca Comunicaciones Colombia encerrou suas atividades em 2023. Sua unidade local entrou em processo de liquidação em 2025, depois que os investimentos não geraram o tráfego esperado em uma licitação governamental.

CLARO JÁ É GIGANTE NA COLÔMBIA

A operadora já possui uma presença robusta no país. Veja os números:

IndicadorDado
Municípios atendidos1.104
Torres de telecomunicações+10.660
Cidades com 5G59
Usuários móveis+40 milhões
Acessos de banda larga3,5 milhões
Domicílios com TV/fixa/internet+3 milhões

A Colômbia é o terceiro maior mercado da America Movil, atrás apenas do Brasil (89,5 milhões de usuários móveis) e do México (84,6 milhões).

ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO REGIONAL

A America Movil tem sido clara sobre seu plano de crescimento na América Latina. Em teleconferência com investidores, o CEO Daniel Hajj apontou mudanças no cenário competitivo regional.

Hajj sinalizou que a empresa tinha “movimentos de consolidação em andamento” na região, descrevendo a busca por negócios “pequenos” como parte da estratégia.

Antes da negociação colombiana, a companhia chegou a avaliar a compra dos ativos da Telefónica Chile em conjunto com a Entel, mas desistiu por considerar o negócio complexo demais. A aquisição da Azteca seria, portanto, um passo mais direto dentro dessa estratégia de consolidação.

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