Reprodução/ChatGPT

Starlink V2 promete 5G via satélite direto no celular; veja o que muda

Cristino Melo
6 min de leitura

A SpaceX revelou na MWC 2026, em Barcelona, os detalhes do Starlink V2, a próxima geração do seu serviço de conectividade direta para celulares. A apresentação foi feita na segunda-feira (2), pelos executivos Gwynne Shotwell, presidente e COO da SpaceX, e Michael Nicolls, SVP do Starlink. O serviço, antes chamado de Direct-to-Cell, foi oficialmente rebatizado de Starlink Mobile — e a Deutsche Telekom foi anunciada como a primeira operadora europeia a firmar parceria para a versão V2.

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O anúncio reforça a estratégia da SpaceX de trabalhar em conjunto com as operadoras de telecomunicações, e não de competir com elas. Nicolls definiu o Starlink Mobile como “um componente-chave de uma rede híbrida que inclui capacidades terrestres e via satélite”. A proposta é complementar as redes 4G e 5G existentes nas regiões onde as torres terrestres não chegam ou onde há necessidade de capacidade adicional.

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O SERVIÇO ATUAL E O QUE MUDA COM O V2

A primeira geração do Starlink Mobile já registra números expressivos: 650 satélites ativos, presença em 32 países de seis continentes e 10 milhões de usuários ativos mensais por meio de operadoras parceiras como T-Mobile (EUA), Rogers (Canadá) e KDDI (Japão). A expectativa é superar 25 milhões de usuários ativos até o final de 2026.

O Starlink V2 representa um salto técnico considerável. Veja as principais diferenças entre as gerações:

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CaracterísticaStarlink V1 (atual)Starlink V2 (próxima geração)
Tipo de dadosTexto e dados levesBanda larga completa
Velocidade estimada~4 MbpsAté 150 Mbps
Tamanho da antenaPadrão5× maior (phased array)
Desempenho de linkBase20× superior
Download por satélite+100 Gbit/s
Upload por satélite+50 Gbit/s
Espectro utilizadoBanda atualBanda S (2 GHz, licença global)
Experiência ao usuárioApps selecionados“Semelhante a uma rede 5G terrestre”

O novo espectro de banda S foi adquirido pela SpaceX por meio de um acordo com a EchoStar, empresa que controlava o Boost Mobile. Nicolls descreveu a experiência prometida pelo V2 como uma conexão que “deve parecer e funcionar como se você estivesse conectado a uma rede 5G terrestre de alto desempenho”.

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SATÉLITES MAIORES, FOGUETES MAIORES

Para colocar os satélites V2 em órbita, a SpaceX precisará do seu foguete Starship, o maior e mais poderoso já desenvolvido. O cronograma e as metas de implantação são ambiciosos:

  • Início dos lançamentos previsto para meados de 2027
  • Pelo menos 50 satélites por lançamento no estágio superior do Starship
  • Meta de cobertura global e contínua em seis meses após o início dos lançamentos
  • Constelação inicial de aproximadamente 1.200 satélites
  • Expansão de longo prazo para até 15.000 satélites
Imagem: NurPhoto via Getty Images/Reprodução

Nicolls afirmou que, ao lançar os satélites V2, o serviço já estará disponível na maioria dos dispositivos nos EUA. A Qualcomm confirmou que seus modems atuais já suportam a banda N256 que o Starlink usará, enquanto a MediaTek anunciou colaboração com a SpaceX para expandir o suporte a alertas de emergência entregues via satélite pela banda S.

DEUTSCHE TELEKOM: A GRANDE PARCEIRA EUROPEIA

Durante a keynote na MWC, Nicolls chegou a alertar os participantes para ficarem atentos a um anúncio “enorme” naquela tarde de segunda-feira. Horas depois, a Deutsche Telekom confirmou o acordo com o Starlink Mobile para levar conectividade via satélite a 10 países europeus a partir de 2028.

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Os países cobertos pela parceria serão:

  • Alemanha
  • Áustria
  • Polônia
  • Hungria
  • República Tcheca
  • Eslováquia
  • Grécia
  • Croácia
  • Montenegro
  • Macedônia do Norte

A parceria beneficiará mais de 140 milhões de assinantes e será a primeira na Europa a utilizar a tecnologia V2. Stephanie Bednarek, VP de Vendas da Starlink, destacou que o acordo “expande dados, voz e mensagens ao fornecer banda larga diretamente para telefones celulares”. Na Alemanha, a Deutsche Telekom já cobre quase 90% do território com 5G e mais de 92% com LTE — e o Starlink Mobile será acionado nos pontos cegos restantes.

CONECTIVIDADE DE EMERGÊNCIA EM FOCO

Além das possibilidades comerciais, Shotwell destacou o uso do Starlink Mobile para serviços de emergência. Os números já demonstram o impacto da iniciativa:

  • Mais de 4,4 milhões de pessoas receberam alertas de emergência via satélite durante desastres naturais
  • Durante os incêndios florestais de janeiro de 2025 no entorno de Los Angeles, o Starlink transmitiu mais de 150 alertas gratuitamente
  • A tecnologia foi demonstrada pela primeira vez em parceria com a T-Mobile em setembro de 2024

O espectro de banda S também está sendo preparado para levar essa capacidade à Europa. “Estamos apenas começando a aproveitar nosso espectro de 2 GHz para serviços e alertas de emergência na Europa”, disse Shotwell durante o evento. A iniciativa reforça o papel estratégico do Starlink Mobile não apenas como serviço comercial, mas como infraestrutura crítica para situações de crise.

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