A startup americana Cohere Technologies apresentou no Mobile World Congress (MWC) 2026, em Barcelona, o Universal Spectrum Multiplier (USM), software capaz de dobrar a eficiência do espectro em redes 4G e 5G. A tecnologia promete entregar até 50% mais capacidade para operadoras sem a necessidade de substituição de equipamentos ou compra de novas faixas de frequência.
Leia mais:
- A empresa que pode acabar com as zonas sem sinal garante US$ 1,2 bi em receita
- IA na berlinda: Brasil está no grupo de países que vai ‘testar’ a tecnologia
- Milhões de pessoas estão desinstalando o ChatGPT ao mesmo tempo; mas por quê?
O PROBLEMA: O CUSTO DO ESPECTRO
O espectro é um dos recursos mais caros e escassos das telecomunicações. Operadoras no mundo todo investiram quase um trilhão de dólares desde 1990 para adquirir faixas de frequência em leilões governamentais. Apenas na Austrália, operadoras devem desembolsar até A$ 7,3 bilhões para renovar licenças que vencem nos próximos anos — valor bilhões acima do esperado pelo setor.
Diante desse cenário, a proposta da Cohere é direta: fazer mais com o espectro que as operadoras já possuem. “O espectro é um recurso finito e muito caro. Se você consegue extrair 50% mais dele, estamos falando de um valor de negócio de US$ 500 bilhões”, afirmou Art King, diretor de Gestão de Produtos e Marketing da Cohere, em entrevista durante o MWC 2026.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
COMO A TECNOLOGIA FUNCIONA
A inovação central do USM está na aplicação de MU-MIMO em espectro FDD — algo que historicamente não era possível. Entenda as diferenças:
| Característica | TDD (tradicional) | FDD com USM (Cohere) |
|---|---|---|
| Uplink e downlink | Mesma faixa | Faixas diferentes |
| MU-MIMO disponível | Sim | Sim (inédito) |
| Multiplexação espacial | Sim | Sim |
| Dois feixes simultâneos | Sim | Sim |
O modelo de canal desenvolvido pelos matemáticos da Cohere identifica que as condições de canal em ambas as direções do FDD são idênticas, viabilizando a multiplexação espacial. “Com o MU-MIMO, somos capazes de enviar dois feixes e usar a capacidade em ambas as partes do espectro ao mesmo tempo, obtendo mais espectro de downlink disponível para os usuários móveis”, explicou King.
TESTES E RESULTADOS
O produto já opera em tráfego real. Os principais marcos de validação incluem:
- Vodafone Espanha: teste de campo com ganho de 50% em eficiência espectral, com resultados ligeiramente acima do esperado
- Bell Canada (Toronto): testes em andamento, acompanhados por diversas operadoras ao redor do mundo
- Tráfego comercial real: solução já carrega tráfego de produção em rede de operadora parceira
“Gerou resultados fantásticos, e esses resultados foram compartilhados não apenas com a Vodafone, mas com diversas operadoras ao redor do mundo”, afirmou o CEO Ray Dolan à publicação Mobile World Live.
BENEFÍCIOS PARA AS OPERADORAS
Para além da capacidade técnica, o USM entrega ganhos operacionais e financeiros diretos:
- Redução de CAPEX: posterga a necessidade de comprar novo espectro em leilões
- Redução de OPEX: retarda expansão de infraestrutura física nas redes
- Receita incremental: permite adicionar mais usuários de fixed wireless em áreas rurais e suburbanas sem degradar a rede
- Sem substituição de equipamentos: compatível com arquiteturas Open RAN e RAN tradicional (fechada)
“Você pode diferir a necessidade de comprar mais espectro ou de construir equipamentos até que o espectro atual esteja congestionado”, destacou King.

CAMINHO PARA A COMERCIALIZAÇÃO
O CEO Ray Dolan afirmou que a solução estará integrada com um dos maiores fornecedores de RAN do mundo ainda em 2026. Entre os investidores e parceiros estratégicos da Cohere estão:
- Telstra
- Bell Canada
- Intel
- Juniper Networks
- VMware
O ex-CTO do Vodafone Group, Johan Wibergh, também integra o conselho da empresa. O potencial de receita estimado com a comercialização do USM é de ao menos US$ 100 bilhões a US$ 500 bilhões, segundo a própria Cohere.
Para mercados como o brasileiro, onde operadoras como Vivo, TIM e Claro investem pesado em leilões de espectro promovidos pela Anatel, uma tecnologia capaz de maximizar o retorno sobre o espectro já licenciado representa uma oportunidade estratégica relevante.












