As negociações entre a Claro e a provedora de banda larga Desktop completam pelo menos quatro meses sem avanço concreto. O impasse gira principalmente em torno do preço de aquisição: as partes, no Brasil, não chegaram a um consenso desde que as conversas vieram a público, no fim de 2025. Apesar das dificuldades, o diálogo segue aberto e a esperança de fechar um acordo ainda não foi descartada por nenhum dos lados.
A expectativa do mercado era de que um acordo fosse anunciado ainda no final de janeiro ou início de fevereiro de 2026, mas o prazo passou sem desfecho. Fontes ouvidas pela Reuters descreveram a negociação como “em suspenso” até que as empresas cheguem a um entendimento sobre o valor do negócio. Uma terceira fonte, no entanto, afirmou que ainda existe chance de anúncio em breve.
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O que está travando o negócio
Os principais fatores que pesam negativamente sobre a negociação são:
- Juros altos — o custo elevado do crédito no Brasil reduz o apetite por aquisições de grande porte
- Estagnação de preços — os planos de banda larga fixa não apresentam reajustes relevantes, comprimindo as margens das operadoras
- Sobreposição de redes — há redundância entre as redes de fibra ótica da Claro e da Desktop, o que diminui o valor estratégico da compra
- Queda nos múltiplos de avaliação — antes, pagava-se mais de 10x o lucro operacional anual de uma operadora; hoje, esse múltiplo está próximo de 5x
- Divergência de expectativa de preço — a HIG Capital, acionista majoritária da Desktop com 53%, teria interesse em negociar entre 7x e 8x o EBITDA, patamar que a Claro ainda não aceitou
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Anatel lançou sombra sobre o processo
Outro fator que complicou as tratativas foi a manifestação antecipada da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Logo após a negociação entre Claro e Desktop se tornar pública, em outubro de 2025, a agência publicou um relatório apontando riscos relevantes na operação.
As principais preocupações levantadas pela Anatel foram:
- Risco de redução dos níveis de competição no mercado
- Menor difusão do serviço de banda larga para consumidores
- Limitação na oferta de fibra ótica na região
É incomum autoridades regulatórias se pronunciarem sobre fusões e aquisições antes mesmo de as empresas formalizarem o negócio. A manifestação foi interpretada pelo mercado como um recado de insatisfação do regulador, aumentando a percepção de risco jurídico da operação. “O preço embute essa dúvida sobre a questão com o regulador. E aí o comprador quer jogar lá pra baixo”, disse uma fonte.
O peso estratégico da Desktop
A Desktop é a maior provedora independente de banda larga do Estado de São Paulo, com 1,2 milhão de clientes em cerca de 200 cidades — o equivalente a 7,6% de participação no mercado paulista. Para a Claro, a aquisição representaria uma aceleração da migração do cabo (HFC) para a fibra ótica e um salto na disputa pela liderança regional.
A tabela abaixo mostra como estão posicionadas Claro e Vivo em São Paulo, e o que a Desktop acrescentaria:
| Empresa | Clientes em SP | Participação de mercado |
|---|---|---|
| Vivo | 4,9 milhões | 31% |
| Claro | 4,5 milhões | 28,3% |
| Desktop | 1,2 milhão | 7,6% |
Na Bolsa, a Desktop (DESK3) fechou cotada a R$ 13,52 em 23 de fevereiro, com valor de mercado próximo de R$ 1,84 bilhão, embora fontes estimem que o negócio poderia superar R$ 2 bilhões.
Três anos tentando se vender
A Desktop já vinha discutindo alternativas de venda há pelo menos três anos. O histórico de tentativas frustradas reforça o desafio de precificação da empresa:
- 2022–2023 — outros provedores demonstraram interesse, mas recuaram diante dos valores pedidos
- 2024 — negociação com a Telefônica Brasil (Vivo) não avançou por divergência de preço
- Outubro de 2025 — Desktop confirma conversas com a Claro, sem acordo sobre preço ou estrutura
- Janeiro–fevereiro de 2026 — prazo esperado para um acordo passa sem desfecho; negociação segue “em suspenso”












