A V.tal – Rede Neutra de Telecomunicações encerrou 2025 com prejuízo líquido contábil de R$ 13,85 bilhões, revertendo o lucro de R$ 864 milhões registrado em 2024. Os resultados foram divulgados na quarta-feira (25), pela companhia controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual. O desempenho negativo foi fortemente influenciado por um ajuste contábil bilionário decorrente da crise da Oi, principal parceira de infraestrutura da empresa.
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Impairment de R$ 11,9 bilhões
O principal fator por trás do prejuízo foi o reconhecimento de R$ 11,89 bilhões em perdas pela não recuperabilidade de ativos, o chamado impairment.
🔍 Impairment é um ajuste contábil feito quando o valor registrado de um ativo nos livros da empresa passa a ser maior do que o valor que ele realmente pode gerar no futuro. Na prática, a empresa reconhece oficialmente que aquele bem ou direito vale menos do que estava contabilizado.
A medida reflete a revisão das premissas financeiras da V.tal diante da situação pré-falimentar da Oi. Segundo a empresa, trata-se de um “ajuste contábil sem efeito caixa”, que não impacta sua posição ou fluxo de caixa operacional, e pode ser revertido em exercícios futuros caso as premissas econômicas mudem.
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Receita, margens e Ebitda
Os números de desempenho operacional acompanham a deterioração do resultado líquido:
- Receita líquida consolidada: R$ 7,04 bilhões, queda de 9% ante 2024
- Receita da controladora: R$ 5,19 bilhões, contra R$ 7,41 bilhões no ano anterior
- Ebitda (excluindo impairment): R$ 1,16 bilhão, recuo de 73% frente aos R$ 4,3 bilhões de 2024
- Margem Ebitda: caiu 39 pontos percentuais, de 55% para 16%
🔍 Ebitda é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, usado como indicador da capacidade operacional de geração de caixa. A margem Ebitda mostra qual percentual da receita se converte nesse resultado — quanto maior, mais eficiente a operação.
O aumento dos custos operacionais e a integração da Nio foram as causas centrais da compressão das margens.
A Nio e o cobre bloqueado
Em fevereiro de 2025, a V.tal concluiu a aquisição da ClientCo, unidade de clientes de fibra da Oi, hoje rebatizada como Nio — a terceira maior base de banda larga do Brasil, com 3,5 milhões de assinantes. A divisão contribuiu com R$ 3,22 bilhões em receitas, mas registrou prejuízo de R$ 759 milhões no ano. Para 2026, a unidade promete uma virada.
Outro fator que pesou foi a suspensão judicial das atividades de extração do cobre da rede legada da Oi. Decisões ligadas ao processo de falência impediram temporariamente a V.tal de adquirir o material, afetando receitas da operação. A suspensão foi prorrogada até 2026.
Infraestrutura e investimentos
Ao final de 2025, a V.tal contava com mais de 502 mil km de fibra terrestre, 26 mil km de cabos submarinos, 22,4 milhões de homes passed e 3,8 milhões de homes connected.
🔍 Homes passed indicam residências ao alcance da rede de fibra, mesmo sem contrato ativo. Homes connected são as casas que efetivamente utilizam a conexão.
Os investimentos (capex) somaram R$ 2,3 bilhões, alta de 36% ante 2024, impulsionados pelo data center Mega Lobster, em Fortaleza, e pelos equipamentos da Nio. No campo da conectividade internacional, a V.tal anunciou o cabo submarino Synapse para ligar o Brasil aos EUA. No plano regulatório, recebeu o aval da Anatel para a aquisição da UM Telecom, sinalizando continuidade em sua estratégia de crescimento.
Participação da Oi à venda
A Oi detém 27,26% da V.tal e, no âmbito do processo de falência, essa fatia está à venda. Uma audiência para abertura de propostas está marcada para 5 de março de 2026, o que deve definir um novo capítulo para a estrutura societária da companhia.












