
A Nio, provedora de banda larga que nasceu da aquisição da Oi Fibra, concluiu em fevereiro de 2026 o processo de separação tecnológica da Oi Services e agora vai buscar fusões e aquisições no mercado brasileiro de telecomunicações para ampliar sua base de clientes nas regiões onde já atua. O anúncio foi feito pelo presidente da companhia, Marcio Fabbris, após a empresa finalizar a desvinculação dos sistemas legados da antiga controladora.
Após um ano turbulento marcado pela perda de 307 mil clientes, a Nio encerra o ciclo de reestruturação operacional e passa a operar com total autonomia. A empresa, que foi vendida pela Oi em recuperação judicial para a V.tal – grupo de telecomunicações controlado por fundos geridos pelo BTG Pactual – numa operação de R$ 5,75 bilhões concluída em fevereiro de 2025, hoje conta com 3,693 milhões de clientes.
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Estratégia de fusões e aquisições
“Estamos começando a olhar o mercado e avaliar que oportunidades existem”, afirmou Fabbris. A prioridade com as possíveis aquisições é ampliar a base de clientes nas localidades onde a empresa já está presente, buscando assumir a liderança do mercado de banda larga ou se distanciar na dianteira por meio da aquisição dos maiores provedores de cada região. “O grande driver é sermos cada vez mais fortes onde nós estamos”, destacou o executivo.

A estratégia de consolidação já começou a ser colocada em prática pelo grupo controlador. Em dezembro de 2025, a V.tal acertou a compra da Um Telecom, empresa de telecomunicações com sede em Recife. A operação traz os seguintes ativos:
- Rede de fibra óptica com 22 mil quilômetros
- Presença em 200 cidades do Nordeste
- Cobertura em todas as capitais da região
- Portfólio com internet, serviços de nuvem e data centers
Especulações sobre fusão com a TIM
No mercado, há especulações sobre uma possível fusão entre a Nio – forte em banda larga – e a TIM – gigante de internet móvel com atuação pequena em internet fixa. Fabbris admitiu que a combinação “faz sentido”, mas descartou o movimento no curto prazo. “Os deals maiores são os mais difíceis. Estamos saindo da construção de uma companhia, nos estruturando, vencendo desafios operacionais internos. Precisamos construir valor, voltar a ganhar clientes”, ponderou.
O presidente da TIM, Alberto Griselli, já havia comentado que a companhia permanece avaliando oportunidades no mercado, tanto de provedores pequenos quanto grandes, reconhecendo que a consolidação no setor de banda larga está chegando a um ponto de maturidade.
Separação tecnológica e desafios superados
A separação tecnológica concluída em fevereiro envolveu o desligamento progressivo de aplicações, reconstrução de plataformas críticas e implantação de nova arquitetura. A Nio herdou um ambiente extremamente complexo da Oi, com sistemas construídos ao longo de décadas, múltiplas plataformas e percentual relevante de obsolescência. A transição gerou problemas operacionais graves: a empresa vendia planos e não tinha equipes para instalar, clientes pagavam boletos que não eram computados.
Agora, a companhia opera com a seguinte infraestrutura:
| Infraestrutura | Capacidade |
|---|---|
| Servidores | Físicos e virtuais |
| Armazenamento | Mais de 2 petabytes |
| Arquitetura | Preparada para expansão |
| Segurança | Monitoramento contínuo |
Foco na recuperação de clientes
“Até aqui a gente estava em pré-temporada, mas agora começa o campeonato”, afirmou Fabbris. Segundo o executivo, os números até dezembro foram ruins, mas janeiro já mostrou recuperação e fevereiro apresenta indicadores positivos. “O resultado líquido de clientes começa a aparecer e teremos um resultado positivo em 2026”, projetou.
A Nio continua sendo a terceira maior provedora de banda larga do Brasil, atrás apenas de Claro (10,6 milhões de clientes) e Vivo (8 milhões). A estratégia para 2026 não prevê expansão para novas áreas, com foco nas regiões já cobertas pela V.tal e no fortalecimento dos canais de venda digital e porta-a-porta.












