
O governo federal trabalha para tirar do papel uma política que promete mudar a realidade digital das rodovias brasileiras. A Política Nacional de Conectividade em Rodovias, segundo o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, será oficializada até março.
A meta é clara: permitir que motoristas e passageiros tenham acesso à internet móvel de forma contínua, mesmo em trechos hoje isolados.
A medida não fica apenas no papel. O próprio ministro afirma que, em alguns trechos, a execução deve começar ainda em 2026, aproveitando áreas já mapeadas e com viabilidade técnica.
Internet nas estradas: mais que conveniência, uma necessidade
Viajar por algumas rodovias do país ainda significa, para muitos, ficar completamente fora de área. Isso impacta desde a segurança até a logística. A proposta do governo tenta enfrentar esse problema, integrando obras viárias com infraestrutura de telecomunicações.
Para isso, o Ministério das Comunicações tem atuado em conjunto com o Ministério dos Transportes. O objetivo é criar diretrizes que associem a pavimentação ou modernização das estradas à implementação de infraestrutura capaz de oferecer conectividade real ao longo do trajeto.
Nos trechos concedidos à iniciativa privada, a implantação deve ser negociada com as concessionárias. Já nas áreas de gestão pública, as operadoras de telecomunicações serão chamadas a cumprir metas específicas de cobertura.
Ampliação da cobertura também mira regiões remotas
Além de melhorar a experiência dos usuários nas rodovias, o governo vê na conectividade um meio de fomentar o desenvolvimento em regiões menos assistidas.
Pequenos comércios locais, postos de serviço e comunidades ao longo das estradas também podem ser beneficiados com a chegada da internet móvel.
A proposta deve envolver ainda o uso de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), o que facilitaria a implementação em áreas onde o investimento privado é menos atrativo.
Governo estuda alternativas via satélite
Outro ponto levantado pelo ministro envolve os satélites de baixa órbita, que podem ser usados como apoio nos locais mais difíceis de alcançar por via terrestre.
O governo já iniciou testes com essa tecnologia e estuda substituir o atual SGDC-1, satélite geoestacionário que está próximo de encerrar sua operação.
A proposta é que um novo equipamento assuma o papel de ampliar o acesso à internet pública, principalmente em localidades remotas.
Documento final em fase de ajustes
Ainda não há um texto legal definitivo para oficializar essas iniciativas, mas o plano está em fase avançada de estruturação.
A expectativa é de que as regras, metas e obrigações estejam consolidadas no primeiro trimestre, até março, abrindo caminho para o início da implementação nos meses seguintes.
O setor de telecomunicações acompanha com atenção os próximos passos. A política, se colocada em prática como o previsto, poderá abrir novas frentes de negócio, ampliar o alcance da conectividade móvel e contribuir para um país mais integrado, nas estradas e fora delas.
* Com informações do Ministério das Comunicações





