20/01/2026

Invasão de Trump a Venezuela trava saída de dona da Vivo na América Latina

Com a Venezuela sob influência direta de Washington, a gigante espanhola enfrenta novos entraves diplomáticos para vender seus últimos ativos na região e concluir sua reestruturação global.

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Telefonica venezuela vivo
Divulgação/Telefónica

A invasão de Donald Trump na Venezuela no início de 2026, complicou a estratégia da Telefónica, dona da Vivo, de concluir sua saída da América Latina Hispânica, uma vez que a deposição de Nicolás Maduro gerou uma instabilidade geopolítica que impede a precificação correta de ativos e afasta investidores globais. O movimento audacioso do governo dos Estados Unidos criou um cenário de incerteza no país vizinho, forçando a gigante espanhola a pausar negociações estratégicas enquanto aguarda novas definições regulatórias.

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O peso do mercado venezuelano e a herança da Movistar

A Telefónica é, atualmente, a maior operadora móvel da Venezuela em número de assinantes, atuando sob a marca Movistar com uma base de quase 9 milhões de clientes e mais de 40% de participação de mercado. Presente no país desde 2004, após adquirir ativos da BellSouth, a empresa acumulou perdas severas ao longo de duas décadas devido à hiperinflação e desvalorização cambial extrema. A operação, embora relevante em escala, tornou-se um passivo financeiro difícil devido às restrições para repatriar lucros.

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Valores e status das operações na América Latina

A estratégia de desinvestimento da Telefónica, batizada de “Transform & Grow”, busca reduzir custos em 3 bilhões de euros até 2030. Enquanto a Venezuela trava devido ao fator político, outros mercados já apresentam números consolidados ou negociações em estágio avançado. Veja abaixo os valores envolvidos e o status das principais operações da região sob a gestão de Marc Murtra, excluindo o Brasil, que permanece como o pilar central da companhia:

MercadoOperação (Marca)Valor Estimado / StatusComprador / Interessado
ArgentinaTelefónica ArgentinaUS$ 1,245 bilhãoTelecom Argentina (Personal)
ColômbiaColtel (67,5%)US$ 400 milhõesMillicom International (Tigo)
MéxicoMovistar MéxicoUS$ 2 bilhõesJPMorgan (Buscando compradores)
UruguaiMovistar UruguaiUS$ 350 – US$ 400 milhõesGrupo Clarín / Telecom Argentina
PeruTelefónica del PeruReestruturação / FalênciaRothschild (Mandato de venda)
ChileMovistar ChileEm negociação ativaMillicom / América Móvil

O fator Trump e a barreira diplomática em 2026

Com os Estados Unidos temporariamente no controle da transição venezuelana, a Telefónica agora precisa do aval direto de Trump para alienar sua operação no país. Três caminhos principais são discutidos nos bastidores: uma fusão com a estatal CANTV, a venda para a rival local Digitel ou um acordo com players internacionais como a Millicom. Contudo, a prioridade do governo americano na extração de petróleo reduz o foco em estabilizar o ambiente de telecomunicações rapidamente, o que afasta novos investidores.

Analistas sugerem que Trump pode tentar forçar a entrada de uma operadora dos EUA no mercado venezuelano, mas o histórico é desanimador. Operadoras como AT&T e Verizon já sofreram perdas bilionárias na região; a Verizon foi expulsa em 2007 durante a reestatização da CANTV, e a AT&T abandonou o mercado de TV paga em 2020 devido às sanções. Esse receio corporativo americano é um dos principais motivos pelos quais a saída da dona da Vivo torna-se tão complexa e incerta no atual cenário político.

O foco da Telefónica na Vivo e no mercado brasileiro

Apesar dos percalços na região hispânica, a Telefónica mantém sua meta de fortalecer as operações core em 2026, com foco total no Brasil, Alemanha, Espanha e Reino Unido. No Brasil, a Vivo não faz parte do plano de venda e segue como a principal geradora de caixa do grupo na América Latina. A demora em resolver a questão venezuelana, no entanto, consome recursos gerenciais que deveriam estar voltados para a expansão da fibra óptica e do 5G no território brasileiro, que é a prioridade da holding.

A incursão militar e política de Trump também projeta sombras sobre fornecedores como as chinesas Huawei e ZTE. Com a influência crescente de Washington na região, espera-se uma pressão maior para a exclusão de componentes chineses das redes de infraestrutura crítica. Para a Telefónica, isso significa que seus ativos à venda na Venezuela e em países vizinhos podem perder valor caso precisem passar por uma troca forçada de tecnologia de rede para agradar o novo alinhamento geopolítico da região.

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