Senado prorroga cota nacional na TV por assinatura por mais 10 anos

Ana Cláudia
5 min de leitura

A Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD) do Senado Federal deu aprovação nesta quarta, 30, ao texto modificado do Projeto de Lei 3.696/2023. Esse projeto busca estender o período em que os conteúdos audiovisuais nacionais devem ser exibidos nas programações de TV por assinatura. A votação resultou em nove votos a favor e nenhum contrário, o que significa que o texto revisado passará agora pelo processo de análise e discussão na Câmara dos Deputados.

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TV por assinatura

O Projeto de Lei 3.696/2023 foi elaborado pelo senador Randolfe Rodrigues (REDE/AP) e sofreu modificações durante sua avaliação nas comissões do Senado. A versão revisada que foi aprovada, de autoria do senador Humberto Costa (PT/PE), estende o período das cotas de programação nacional na TV paga por mais 15 anos, ou seja, até o ano de 2038. Inicialmente, o texto original propunha um período de 20 anos.

Conforme estabelecido na Lei 12.485/2011, também conhecida como Lei do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), os canais de programação oferecidos de maneira avulsa através dos planos de TV por assinatura são obrigados a garantir no mínimo 10% de conteúdo brasileiro em sua programação.

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No que diz respeito ao texto aprovado na Comissão de Ciência, Comunicação, Desenvolvimento e Tecnologia (CCDD), a versão substitutiva removeu a previsão de extensão das cotas de conteúdo nacional para filmes. Essa decisão foi fundamentada em uma emenda proposta pelo presidente da CCDD, Eduardo Gomes (PL/TO).

Humberto Costa, responsável por relatar o projeto, afirmou que as modificações precisam ser discutidas por todos os envolvidos na indústria cinematográfica. Ele defende que a questão das cotas de conteúdo nacional para exibição nos cinemas seja tratada em uma proposta separada.

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“As mudanças devem ser debatidas por todos que atuam na cadeira produtiva”.

Antes de receber aprovação na CCDD, o texto passou pelo crivo das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal.

Contra pirataria

Foi adicionada uma alteração ao projeto substitutivo que tem como objetivo reforçar os esforços para combater a pirataria de conteúdo audiovisual no Brasil.

Essencialmente, esta adição, também proposta por Eduardo Gomes, presidente da Comissão de Ciência, Comunicação, e Tecnologia (CCDD), estipula que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) seja responsável por ordenar a suspensão e interrupção do uso não autorizado de obras protegidas por direitos autorais ou licenciamento, sejam elas de origem brasileira ou estrangeira.

O texto da emenda aprovada explica que as medidas de suspensão e interrupção do uso não autorizado de obras protegidas se referem a ações que impeçam a emissão, disseminação, transmissão, retransmissão, reprodução, acesso, distribuição, armazenamento, hospedagem, exibição, disponibilidade, ou qualquer outro meio que resulte na violação de direitos autorais.

“São medidas de suspensão e cessação do uso não autorizado de obras protegidas as que impeçam sua emissão, difusão, transmissão, retransmissão, reprodução, acesso, distribuição, armazenamento, hospedagem, exibição, disponibilidade e quaisquer outros meios que impliquem em violação de direitos autorais”.

Durante a votação, Costa ressaltou que estão acolhendo a emenda de combate à pirataria, a qual possui aplicabilidade inclusive no setor de transmissão esportiva. Portanto, ele considera que o projeto em discussão tem méritos substanciais para se transformar em uma lei efetiva.

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É importante recordar que, de acordo com as informações compartilhadas por Moisés Moreira, um conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no mês de maio, tanto a Anatel quanto a Ancine estão trabalhando conjuntamente na criação de um laboratório. Esse laboratório terá a finalidade de combater sinais ilegais provenientes de IPTVs piratas, os quais estão desviando conteúdo de televisão por assinatura. O laboratório será instalado nas instalações da Anatel e receberá apoio da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA).

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