22/02/2024

Para diretor da Globo, TV por assinatura e streaming se complementam

‘A ruptura de um dos modelos pode trazer risco para a manutenção do que construímos até hoje’, afirma Fernando Ramos.

O diretor executivo de parcerias estratégicas de distribuição da Globo, Fernando Ramos, participou do Pay-TV Fórum, que aconteceu nos dias 22 e 23 de agosto, e durante sua participação, ele afirmou que está difícil definir a fronteira entre TV por assinatura e streaming. Ramos diz que a TV paga pode ser vista como algo muito maior do que o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) individualmente.

Ao longo do tempo, é natural que ocorra uma evolução tecnológica, criando outras formas de acesso e os devices se multiplicam. É claro que essa mudança abre espaços. O que a Globo tem feito é ocupar estes espaços. Temos que estar disponíveis ao consumidor em todo lugar“, disse no realizado por Tela Viva e Teletime.

Para ele, a realidade da transição tecnológica e da mudança de hábito na forma de acessar conteúdo é inexorável e ocupar os espaços já mostra resultados. “No caso dos canais lineares, nos últimos 12 meses, tivemos uma reposição de 40% da base que foi perdida no SeAC. Isso mostra um caminho, uma perspectiva para o streaming“, disse.

Ramos falou sobre o cruzamento de negócios nos segmentos, onde as empresas passaram a adotar estratégias B2C, paralelamente ao modelo tradicional da TV por assinatura, assim como as operadoras do SeAC hoje oferecem os principais serviços de streaming OTT às suas bases de assinantes. “As barreiras vão cair ainda mais. Não acredito em um modelo segregado, onde cada um oferece um serviço“.

No caso específico da Globo, a emissora atua em quatro pilares na área de parcerias de distribuição: grandes operadoras de telecom e ISPs, em modelos de parceria baseados em SeAC e streaming; agregadores digitais; TVs conectadas; empresas que têm grandes bases de clientes digitais, como bancos e varejistas.

As receitas da TV por assinatura são relevantes para a emissora e continuarão sendo, mas as múltiplas frentes trazem bons números. Segundo Ramos, a Globo tinha “20 e poucos parceiros” na distribuição no SeAC e “dois ou três” modelos de negócio.

“Hoje temos uma dezena de modelos e quase 70 parceiros”, diz. E ainda há uma demanda reprimida, uma vez que a empresa ainda não conseguiu atender todos os potenciais parceiros. “É um desafio grande acolher todas as demandas”, completa.

Para ele, os modelos irão coexistir, e que não deve haver uma mudança no modelo de compra de programação da TV paga e nem de comissão para parceiros do streaming. “A ruptura de um dos modelos pode trazer risco para a manutenção do que construímos até hoje“, diz.

O diretor da Globo acredita que a TV por assinatura, e a TV aberta e o streaming se complementam.

“É uma visão muito consistente que outras empresas de mídia não tiveram, optando por uma ruptura ao retirar conteúdo da TV paga para deixá-los exclusivo de seus streamings. A gente continua a valorizar e investir nos canais fechados, na TV Globo e no Globoplay, acreditando na complementariedade dos três para ocupar os espaços que existem”, finaliza.

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