Reprodução/ChatGPT

Teles apostam em IA e nuvem gratuitas para atrair e fidelizar clientes

Cristino Melo
7 min de leitura

As teles brasileiras encontraram nos assistentes de IA e no armazenamento em nuvem uma nova estratégia para atrair e fidelizar clientes. Vivo, Claro e TIM lançaram nos últimos meses ofertas gratuitas dessas ferramentas dentro de planos de internet móvel e banda larga, numa disputa por receita extra que já move o setor de telecomunicações no Brasil.

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A movimentação ocorre neste ano e segue o mesmo caminho adotado antes por serviços como Netflix, YouTube Premium e Globoplay, hoje distribuídos pelas operadoras dentro dos chamados pacotes OTT. A lógica é simples: oferecer o benefício de graça por um período inicial e, depois, transformar a ferramenta em fonte de receita recorrente para as companhias.

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VIVO QUER SER PLATAFORMA DE IA

A Vivo foi uma das primeiras operadoras a apostar nessa frente. A companhia oferece até um ano de Gemini grátis para clientes elegíveis de planos móveis e de banda larga, além de 400 GB de armazenamento em nuvem. Antes disso, a Vivo já havia firmado parceria semelhante com a Perplexity Pro, também distribuída dentro dos pacotes de internet da operadora.

Para o presidente da Telefônica Brasil, Christian Gebara, a companhia enxerga grande potencial em se tornar uma distribuidora desses serviços digitais, repetindo o modelo já usado com Netflix, Globoplay e YouTube Premium. Segundo ele, a Vivo não pretende fechar exclusividade com nenhuma IA, mas reunir várias opções dentro da mesma fatura para o cliente.

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Assim como foi com os OTTs de vídeo, a gente enxerga que a Vivo será uma plataforma de distribuição das IAs. Começou com Perplexity, vimos boa adesão, e agora estamos com a Gemini. Queremos ser uma plataforma que distribui todas, sem exclusividade com nenhuma, explicou Gebara.

O faturamento da Vivo com a venda de serviços OTT somou R$ 890 milhões nos últimos 12 meses até o segundo trimestre, alta de 25,7% na comparação anual. Hoje, 4,9 milhões de clientes já pagam para manter algum streaming contratado dentro do plano, número que reforça a aposta da operadora nesse tipo de receita adicional vinda da distribuição de aplicativos digitais.

Vivo Gemini grátis
Reprodução/ChatGPT

CLARO UNE NUVEM COM APPLE E GOOGLE

A Claro também ampliou os serviços digitais embutidos em seus planos. A operadora liberou o ChatGPT Plus grátis por quatro meses aos clientes do combo Claro Multi, que reúne banda larga, plano móvel e TV por assinatura. Mais recentemente, a companhia fechou parcerias com Apple e Google para oferecer iCloud e Google One aos novos planos pós-pago, permitindo guardar fotos, vídeos e documentos na nuvem.

Segundo a Claro, uma pesquisa interna mostrou que a falta de espaço no celular é uma das principais queixas dos usuários. O diretor de Marketing da empresa, Márcio Carvalho, afirmou que o preço elevado dos aparelhos novos, puxado pelo custo dos chips de memória, tem feito os consumidores adiarem a troca do celular e valorizarem soluções de armazenamento externo.

A parceria viabiliza que pessoas continuem gerados fotos e vídeos para armazenar de maneira mais confortável, apontou Carvalho.

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Claro celular
Reprodução/ChatGPT

O QUE CADA TELE OFERECE

  • Vivo: de 6 a 12 meses grátis do Gemini AI Plus + 400 GB de nuvem; parceria anterior com Perplexity Pro
  • Claro: ChatGPT Plus grátis por 4 meses no combo Claro Multi; armazenamento via Google One ou iCloud+
  • TIM: ainda estuda o modelo ideal; já lançou o TIM Play, plataforma própria de streaming

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TIM TEME REPETIR ERRO DO WHATSAPP

Antes de repetir a fórmula usada pela Vivo e pela Claro, a TIM avalia com cautela como incluir assistentes de IA e armazenamento em nuvem em seus planos, sem repetir um erro histórico do setor de telecomunicações: o do WhatsApp, liberado sem cobrança de tráfego de dados e que depois sobrecarregou as redes das operadoras sem gerar receita proporcional ao uso.

O presidente da TIM, Alberto Griselli, chamou o benefício ilimitado do WhatsApp de erro e pregou cautela com a IA, lembrando que o WhatsApp acabou se tornando um custo permanente para as operadoras, sem que elas conseguissem cobrar pelo uso do serviço ao longo do tempo. Por isso, a TIM estuda um modelo diferente para o benefício de IA, buscando equilibrar o valor entregue ao cliente com uma nova fonte de receita para a companhia.

Hoje, os assistentes de IA e nuvem estão sendo colocados como um benefício por um tempo limitado. Depois, teoricamente, o cliente começará a pagar a conta. Mas se todo mundo der um pacote grátis, vira um custo permanente, ponderou Griselli em entrevista ao portal Broadcast.

O vice-presidente de B2B da TIM, Saverio Demaria, reforçou o alerta ao lembrar que o WhatsApp veio para ficar, mas nunca foi monetizado de fato pelas operadoras de telecomunicações brasileiras, e que a inteligência artificial corre o risco de seguir o mesmo caminho caso todas as teles ofereçam o benefício de graça ao mesmo tempo, sem diferenciação entre os planos.

Isso aconteceu com o WhatsApp. Ele veio para ficar, mas, infelizmente, não conseguimos monetizar em cima dele. E agora a IA também veio para ficar, acrescentou Demaria.

Enquanto avalia o modelo ideal para cobrar pela IA, a TIM lançou em julho sua própria plataforma de streaming, batizada de TIM Play, que reúne canais ao vivo, filmes, séries e contratação avulsa de serviços de vídeo e música. A iniciativa é vista pela operadora como um novo caminho para gerar benefício ao cliente e receita para a companhia ao mesmo tempo.

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