Reprodução/Google Maps

Alta demanda por chips e IA puxam lucro recorde da Samsung no 2º semestre

A fabricante, número um global em smartphones Android, atua em diversas frentes do mercado tecnológico, inclusive fornecendo hardware para concorrentes.

Goodanderson Gomes
9 min de leitura

Na divulgação de resultados do 2T26 (segundo trimestre de 2026) a investidores, realizada nesta quarta-feira (29) a Samsung mais uma vez impressionou o mercado, mostrando aumentos expressivos no seu lucro.

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Na verdade, os resultados de abril a junho são os melhores da história da companhia em um trimestre e mostram que a sul-coreana está na vanguarda de dois setores que têm protagonizado o cenário atual: semicondutores e inteligência artificial.

Para se ter uma ideia, estima-se uma alta de 28% em relação ao primeiro trimestre e de 130% em relação ao período equivalente de 2025.

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Os números do sucesso

Os dados divulgados pela Samsung nesta quarta falam por si só. A receita da companhia somou KRW 171,5 trilhões no período, o equivalente a aproximadamente R$ 583,1 bilhões.

Já o lucro operacional chegou a KRW 89,5 trilhões (cerca de R$ 304,3 bilhões). Um salto e tanto se comparado ao trimestre anterior.

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Mais especificamente, esse lucro operacional representa uma alta de 28% frente ao 1T26. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento chega a 130%, de acordo com a própria Samsung.

Margem operacional e lucro por ação

A margem operacional também chamou atenção. Fechou em 52,2%, um avanço de 9,4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Ou seja, a cada R$ 100 faturados, mais de R$ 52 viraram lucro antes de despesas financeiras e impostos. Um patamar raramente visto em empresas do porte da Samsung.

O lucro por ação (EPS) também bateu recorde. Alcançou KRW 10.849 (R$ 36,89), uma alta de KRW 3.726 sobre o trimestre anterior e de KRW 10.112 sobre o mesmo período de 2025.

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Investimento em inovação segue forte

O investimento em pesquisa e desenvolvimento seguiu a mesma toada de crescimento. Somou KRW 16,0 trilhões, ou R$ 54,4 bilhões, numa alta de 41% no trimestre e de 78% em doze meses.

Isso mostra que, mesmo colhendo resultados recordes, a empresa não reduziu o ritmo de investimento em inovação. Pelo contrário, reforçou.

Também conforma a Samsung, o desempenho reflete uma combinação de liderança tecnológica com capacidade de resposta rápida para as mudanças do mercado. Isso mesmo em um cenário global marcado por volatilidade econômica e incertezas geopolíticas.

Áreas com melhor resultado

Se um único setor precisasse levar os créditos por esse resultado histórico, ele teria nome: semicondutores.

A divisão Device Solutions (DS), que reúne os negócios de memória, foundry e chips lógicos, faturou KRW 127,5 trilhões no trimestre. Uma alta de 56% na comparação trimestral.

Sozinha, essa divisão respondeu por um lucro operacional de KRW 89,2 trilhões, ou R$ 303,3 bilhões em conversão direta. Não é exagero dizer que ela carregou a empresa nas costas.

Alguns destaques da divisão:

  • Margem operacional de 70%, representando praticamente todo o lucro consolidado do trimestre;
  • Recorde histórico de vendas em bits, tanto de DRAM quanto de NAND;
  • Demanda puxada principalmente por servidores voltados para inteligência artificial;
  • Avanço nas vendas de chips HBM4, considerados líderes de performance no mercado;
  • Início do envio das primeiras amostras da indústria do HBM4E, próxima geração dessa tecnologia.

S.LSI e Foundry também crescem

A S.LSI e a área de Foundry também tiveram bons resultados, ainda que em proporção menor.

A primeira registrou receita recorde no primeiro semestre, puxada pela venda de processadores (SoC) e sensores de imagem no segmento mobile.

Já a Foundry cresceu com a demanda por HBM B-Die e pedidos fortes vindos dos Estados Unidos. A divisão também expandiu contratos em processos de 2nm voltados para computação de alta performance.

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Celulares e eletrônicos sentem a pressão

Por outro lado, nem tudo foram flores. A divisão DX, que reúne celulares, TVs e eletrodomésticos, teve vendas de KRW 48,0 trilhões, representando uma queda de 9% no trimestre.

O resultado foi um prejuízo operacional de KRW 0,8 trilhão, cerca de R$ 2,7 bilhões negativos. O motivo, segundo a companhia, foi o aumento no custo dos componentes em toda a indústria.

Displays e automotivo em alta

Os demais negócios tiveram desempenho mais discreto, mas ainda positivo:

  • SDC (displays): faturamento de KRW 7,5 trilhões (+12%), com lucro operacional de KRW 0,7 trilhão, beneficiada por painéis OLED de smartphones e pelo crescimento do mercado de monitores gamer
  • Harman (automotivo/áudio): vendas de KRW 4,6 trilhões (+19%), com lucro de KRW 0,4 trilhão, puxado pela expansão do segmento automotivo e por vendas fortes de produtos de áudio portáteis

As expectativas estão altas para o segundo semestre

Depois de um trimestre desse porte, a pergunta natural é: dá para manter o ritmo? Segundo a própria Samsung, sim. E a aposta segue centrada em inteligência artificial.

Para a divisão de memória, a expectativa é de que a demanda por servidores continue robusta. O motivo é o investimento contínuo em infraestrutura de IA e a adoção cada vez maior da chamada “IA agêntica”.

A companhia projeta crescimento acelerado na procura por DRAM de servidor, SSDs corporativos e chips HBM. O mercado deve seguir “undersupplied”, ou seja, com oferta abaixo da demanda, apesar de moderação pontual em mobile e PC.

Já a Foundry mira um crescimento de dois dígitos na receita para o segundo semestre. A aposta está no avanço do processo de 2nm e na ampliação de parcerias em inteligência artificial e computação de alta performance, tanto nos Estados Unidos quanto na China.

Novos lançamentos no radar do consumidor

No lado do consumidor, as apostas da Samsung já chegam com força ao mercado:

  • Galaxy Z Fold8 e a série Galaxy S26, que devem puxar as vendas de smartphones no segundo semestre
  • Estreia do “Intelligent Eyewear”, óculos inteligentes com inteligência artificial embarcada

A ideia, segundo a empresa, é reverter a queda de rentabilidade registrada pela divisão MX neste trimestre. A área segue pressionada pelo custo elevado de componentes.

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TVs e Harman de olho em novas frentes

Para a área de TVs, o plano passa por reforçar a liderança no segmento de TVs com IA, apostando na tecnologia “Vision AI”. A expansão do negócio de serviços também está na mira, incluindo conteúdo via TV Plus e publicidade.

Já a Harman deve seguir de olho em segmentos automotivos de alto crescimento, como unidades de computação central para veículos. A ampliação das vendas de produtos de áudio também segue no radar.

No fim das contas, a Samsung chega ao segundo semestre de 2026 numa posição financeira bastante confortável.

O caixa líquido soma KRW 167,6 trilhões (R$ 569,8 bilhões) e endividamento é baixíssimo: apenas 4% sobre o patrimônio.

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