Em entrevista concedida à revista Exame, Zaima Milazzo, diretora de produtos e tecnologia da Algar Telecom, destacou quais são as prioridades da empresa no momento. O encontro ocorreu durante o IT Forum Praia Forte 2026.
Segundo Milazzo, o foco está voltado no fornecimento de serviço de computação em nuvem e no estreitamento de uma parceria já existente com a Starlink.
A executiva destacou ainda que a empresa tem visto com cautela o começo das movimentações para a chegada do 6G, entendendo que ainda não é o momento certo para esse update.
Nuvem e Starlink: onde está o dinheiro agora
Sobre os planos da Algar para o agora, Zaima Milazzo destacou dois (ou três, a depender da perspectiva): a oferta de internet da Starlink para clientes corporativos e o investimento em cloud, bem como o foco em segurança digital.
Zaima mencionou o ponto de vista da Algar no que diz sentido a fortalecer uma “nuvem soberana”, com operações baseadas 100% no Brasil.
De acordo com a diretora, como os clientes da Algar são brasileiros, não faz sentido basear servidores que mantém dados desses indivíduos e organizações no exterior.
Além disso, ela complementa falando sobre como esse posicionamento reforça a segurança de quem usa os serviços da operadora.
Sobre a Starlink, fato é que, devido à popularização recente da internet via satélite de Elon Musk, oferecer serviços da companhia é um diferencial e tanto.
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O 6G fica para depois
Enquanto o mercado antecipa debates sobre o 6G, a operadora mineira prefere não queimar etapas. A padronização global da tecnologia (IMT-2030) só deve sair entre 2029 e 2030, com redes comerciais estreando primeiro em países como Estados Unidos e China.
A promessa técnica chama atenção: velocidades até 100 vezes superiores às do 5G e latência abaixo de 0,1 milissegundo. Porém, a prioridade atual da Algar segue sendo rentabilizar o ativo construído.
Zaima Milazzo garante que a transição virá no “momento certo”. Apesar de acompanhar a evolução, a tele só colocará capital na nova geração quando a demanda do cliente for real.
Mudanças de rota motivadas pelas respostas que o mercado deu
A cautela com novas tecnologias tem motivo. Para a Milazzo, a migração do 3G para o 4G deu certo porque coincidiu com a explosão do WhatsApp e do streaming. O cliente já queria aquilo.
Com o 5G, a história foi outra. A promessa de que a rede alavancaria a Internet das Coisas (IoT) não se cumpriu na velocidade esperada. A tecnologia acabou saindo na frente da demanda real.
Inclusive, a Algar vendeu sua divisão de IoT para a inglesa Arqia por R$ 720 milhões. O negócio, criado no centro de inovação da tele em 2019, foi negociado no topo de sua valorização.
O movimento permitiu reajustar a rota. A empresa reduziu investimentos (capex), enxugou a dívida e passou a focar na geração de caixa e no uso da infraestrutura que já possui.












