O leilão judicial para venda da Oi Soluções, unidade de serviços corporativos B2B da Oi em recuperação judicial, terminou sem receber nenhuma proposta nesta quarta-feira (18). A audiência foi conduzida pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que declarou o processo competitivo como frustrado. A decisão representa mais um obstáculo no plano de desinvestimentos da companhia.
Marcado desde abril com preço mínimo de R$ 1,417 bilhão, o certame contava com cinco habilitadas: Vivo, Claro, TIM, V.tal e Sercomtel. Nenhuma delas, no entanto, apresentou lances. Segundo fontes de mercado, o valor pedido era considerado irrealista diante da forte deterioração do ativo ao longo dos últimos meses, com receitas caindo pela metade em apenas um ano.
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PRAZO ATÉ 22 DE JUNHO
A juíza responsável pela recuperação judicial, Simone Chevrand, do TJ-RJ, intimou a Oi, o observador judicial, o gestor judicial e a administração judicial conjunta para que se manifestem até o dia 22 de junho sobre os próximos passos a serem adotados na alienação da unidade. O Ministério Público deverá se pronunciar em momento posterior, conforme determinação da Justiça.

POR QUE O LEILÃO FRACASSOU
Analistas e fontes de mercado apontam uma combinação de fatores que afastou todas as empresas habilitadas. Os problemas vão desde o valuation considerado fora da realidade até passivos jurídicos e regulatórios que tornaram o risco da operação alto demais para qualquer interessado.
- Incertezas regulatórias: a venda da UPI STFC, de voz fixa, realizada há três meses, ainda não foi concluída por pendências na Anatel. Nos bastidores, comenta-se que a agência busca um acordo financeiro com a Oi antes de avalizar qualquer transferência de ativo.
- Preço irrealista: o piso de R$ 1,4 bilhão foi calculado com base em projeções de início de 2025 e num cenário otimista de expansão. Na prática, a receita da unidade despencou de R$ 140 milhões para cerca de R$ 60 milhões em um ano. Fontes do mercado afirmam que o ativo vale, no máximo, metade do que foi pedido.
- Contratos deteriorados: boa parte da carteira apresentava margens negativas ou estava próxima do vencimento, o que reduzia drasticamente o valor estratégico do negócio para qualquer comprador.
- Risco com setor público: grande parte dos serviços é prestada a clientes governamentais. Renovações não emergenciais exigem novos processos licitatórios, o que tornaria a carteira instável nas mãos de um novo controlador.
- Passivo jurídico: em maio, credores ingressaram com ação para reafirmar que 50% das receitas da Oi Soluções devem ser destinadas à quitação de dívidas. O contrato de cessão fiduciária, vigente desde o acordo de 2023, restringia a geração futura de caixa — e muitos interessados relataram não ter tido acesso ao documento antes do leilão.
ANATEL NO CENTRO DAS INCERTEZAS
Questões regulatórias envolvendo a Anatel completam o quadro adverso. A venda da UPI STFC, de voz fixa, ocorrida há cerca de três meses, ainda não foi concluída por pendências no regulador. Nos bastidores, comenta-se que a agência busca um acordo sobre valores resgatados judicialmente pela Oi em 2025 antes de avalizar quaisquer transferências de ativos. Sem esse acerto, a tendência é que as transações sigam travadas.
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SINDICATOS PREPARAM MOBILIZAÇÃO
Os sindicatos Federação Livre e Sinttel-Rio, que acompanharam a audiência, também registraram o resultado negativo do leilão. A categoria prepara mobilizações para os próximos dias. A unidade era vista pelos trabalhadores como a principal esperança para o saneamento de dívidas trabalhistas, incluindo valores devidos a ex-funcionários da Serede, empresa que prestava serviços à Oi.
A Oi Soluções é uma das poucas frentes operacionais remanescentes da companhia, que realiza uma liquidação ordenada de ativos sob supervisão da Justiça. Com o leilão frustrado, o mercado acompanha os próximos passos: uma nova tentativa de venda, uma revisão das condições do processo ou outra alternativa que permita monetizar o ativo ainda terão de ser definidas nos próximos dias.












