Reprodução/ChatGPT

TIM Brasil deve sair mais forte após mudança de controle na Itália

Cristino Melo
5 min de leitura

A TIM Brasil não está à venda e deve sair fortalecida depois que sua controladora na Itália ganhar um novo acionista principal, que será, indiretamente, o próprio governo italiano. A afirmação foi feita pelo presidente da TIM Brasil, Alberto Griselli, em entrevista exclusiva ao Broadcast, na qual comentou os planos para a operação brasileira.

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O Gruppo TIM, antiga Telecom Italia e controladora da TIM Brasil, aprovou neste mês uma oferta pública de aquisição feita pela Poste Italiane, empresa de capital misto cujo maior acionista é o governo italiano, dono de 64% das ações. Após a conclusão da transação, o Gruppo TIM terá capital fechado.

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BRASIL É PEÇA-CHAVE PARA O GRUPO

A movimentação despertou sondagens de investidores sobre o futuro da TIM Brasil, mas Griselli descartou qualquer venda da operação local. Segundo ele, o negócio continuará tendo papel relevante para o caixa do grupo, ainda mais após a operação brasileira registrar o maior lucro líquido da história para um segundo trimestre. “O novo potencial acionista já definiu o Brasil como uma joia”, ressaltou o executivo. Em 2025, a TIM Brasil respondeu por 46,8% do Ebitda consolidado do grupo.

Na oferta de aquisição, a Poste Italiane descreveu o mercado brasileiro como um pilar estratégico de importância primordial para o grupo. A empresa citou que a TIM Brasil tem posição competitiva, sólida e sustentável, com infraestrutura de qualidade e uma base de clientes em expansão contínua no país, fatores considerados decisivos para o futuro do negócio combinado.

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Alberto Griselli CEO da TIM Brasil
Divulgação/TIM Brasil

ESTRATÉGIA GEOPOLÍTICA NA ITÁLIA

Na Itália, a negociação envolvendo o Gruppo TIM integra uma estratégia do governo de Giorgia Meloni para criar uma campeã nacional, companhia de capital majoritariamente italiano voltada a controlar ativos estratégicos do país. O Gruppo TIM não é apenas operadora, mas também a principal provedora de data centers e de serviços digitais para a administração pública.

“Esse interesse nacional, com pano de fundo geopolítico, é o que justifica as conversas sobre a OPA”, avaliou Griselli. O diretor regulatório Mario Girasole lembrou que outras operadoras europeias, como Telefónica, Deutsche Telekom e Orange, também têm seus respectivos governos nacionais como acionistas relevantes em suas estruturas de capital, uma tendência comum entre grandes administrações do continente.

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DETALHES FINANCEIROS DA OFERTA

A Poste Italiane nasceu dos serviços postais, hoje responsáveis por apenas 30% de sua receita total de 13 bilhões de euros, cerca de R$ 75 bilhões. A maior parte do faturamento vem de serviços financeiros, seguros, fibra óptica, eletricidade e gás, setores que a empresa pretende expandir e fortalecer com a aquisição do Gruppo TIM e de seus ativos estratégicos.

Os principais termos financeiros da oferta pela Poste Italiane são:

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  • Pagamento por ação: 1,67 euro mais 0,218 de ação ordinária emitida na Euronext Milan
  • Valor inicial da oferta: 10,8 bilhões de euros, cerca de R$ 63 bilhões
  • Prêmio sobre as ações na data da proposta: 9%
  • Valor atualizado após valorização dos papéis: até 13 bilhões de euros, cerca de R$ 75 bilhões

A proposta já recebeu aval do conselho do Gruppo TIM. “O conselho aprovou por unanimidade que a proposta oferecida é justa do ponto de vista financeiro”, descreveu o grupo em comunicado oficial. O plano de negócios não será atualizado até a conclusão da oferta e da definição dos cenários que possam emergir após o desfecho da transação entre as duas companhias italianas.

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