A Indonésia tornará obrigatório o uso de biometria facial para ativar um novo chip de celular a partir de 1º de julho de 2026. O governo indonésio anunciou que o reconhecimento facial substituirá o modelo atual de cadastro por documentos, tornando o processo de registro de números móveis mais seguro, rastreável e eficiente para toda a população.
A medida foi confirmada pelo Ministério das Comunicações e Assuntos Digitais do país, conhecido como Komdigi, após um período de testes de cinco meses que envolveu as três maiores operadoras de telefonia móvel da nação. A decisão marca uma virada significativa na forma como os serviços de telecomunicações lidam com a verificação de identidade de novos usuários.
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COMO FUNCIONA O NOVO REGISTRO
O processo de cadastro biométrico poderá ser realizado tanto nas lojas físicas das operadoras quanto por meio de seus aplicativos móveis. Durante o registro, os dados faciais do usuário serão capturados e criptografados pelas operadoras antes de serem enviados ao Dukcapil, o registro civil do país, que será responsável por cruzar as informações com sua base de dados. O número só será ativado após a aprovação do órgão governamental.
Uma das vantagens práticas destacadas pelo governo é a agilidade do novo processo. De acordo com os testes realizados, o cadastro por biometria facial leva menos de dois minutos para ser concluído, tempo inferior ao exigido pelo método atual, que depende da inserção manual de dados do documento de identidade nacional e do cartão de registro familiar.

PASSO A PASSO DA ATIVAÇÃO DO CHIP
Veja como funcionará o novo processo de registro de número móvel na Indonésia:
- O usuário acessa uma loja física da operadora ou o aplicativo oficial
- O sistema captura os dados de biometria facial do solicitante
- A operadora criptografa os dados e os envia ao Dukcapil, o registro civil indonésio
- O Dukcapil verifica se as informações correspondem aos seus registros oficiais
- Após a aprovação, o número é ativado e liberado para uso
Todo o processo leva menos de dois minutos, segundo testes realizados pelas operadoras Telkomsel, Indosat Ooredoo Hutchison e XL Axiata entre janeiro e abril de 2026.
PERÍODO DE TESTES E ADESÃO
O diretor-geral do Ecossistema Digital do Komdigi, Edwin Hidayat Abdullah, destacou que as avaliações realizadas ao longo do período de testes demonstraram que os sistemas de verificação das três principais operadoras funcionaram de forma confiável. Segundo a Associação de Provedores de Telecomunicações do país (ATSI), aproximadamente 1,4 milhão de novos números de celular foram registrados com biometria facial durante o período experimental, entre janeiro e abril de 2026.
“A implementação nacional do registro de chip por biometria para novos usuários pode agora prosseguir integralmente. Não haverá mais tolerância a partir de 1º de julho de 2026“, afirmou Abdullah, conforme citado pela agência estatal de notícias Antara.
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FRAUDES DIGITAIS MOTIVAM A MUDANÇA
A principal motivação para a adoção da biometria facial é o combate às fraudes digitais, que causaram prejuízos bilionários ao país. O método atual de cadastro, baseado em documentos de identidade e cartões de registro familiar, demonstrou ser insuficiente para proteger os cidadãos. Esses documentos são frequentemente usados sem consentimento ou emprestados para a prática de crimes como golpes financeiros, phishing, disseminação de desinformação, jogos ilegais e envio de spam.
O próprio Abdullah alertou que, em um único ano, a Indonésia registrou perdas recordes equivalentes a cerca de US$ 393 milhões em fraudes ligadas a números de celular não verificados. Desse total, apenas aproximadamente US$ 20 milhões foram recuperados, o que evidencia a dimensão do problema e a urgência da solução tecnológica adotada pelo governo indonésio.
EXCESSO DE NÚMEROS EM CIRCULAÇÃO
Outro fator que impulsionou a regulamentação é o desequilíbrio entre a quantidade de chips ativos e a população adulta do país. Atualmente, mais de 310 milhões de números de celular estão em circulação, mesmo com uma população adulta estimada em cerca de 220 milhões de pessoas. Esse excedente indica que muitos números estão nas mãos de agentes mal-intencionados ou simplesmente inativos, ocupando frequências que poderiam ser utilizadas por usuários legítimos.
A nova exigência de biometria facial para ativação de chip é vista como uma forma de limpar esse banco de dados e garantir que as frequências de telefonia celular sejam usadas por clientes devidamente identificados, e não por criminosos digitais. A medida reforça o papel das telecomunicações como infraestrutura crítica para a segurança pública e a confiança nos serviços digitais.












