As vendas de smartphones na América Latina surpreenderam positivamente no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados da consultoria Omdia, a região comercializou 34,8 milhões de unidades entre janeiro e março, ante 33,7 milhões no 1T25, resultado acima das expectativas do mercado.
O desempenho foi impulsionado pela acumulação antecipada de estoques pelos canais de distribuição, pela simplificação de portfólios por parte dos fabricantes e pelo adiamento do repasse dos custos crescentes de memória DRAM e NAND ao consumidor final. Operadoras e varejistas agiram estrategicamente para garantir disponibilidade nas prateleiras e estabilidade de preços.
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SAMSUNG E XIAOMI LIDERAM O RANKING REGIONAL
O ranking de fabricantes no 1T26 revela movimentos relevantes em todas as posições, com destaque para a liderança consolidada da Samsung e o avanço acelerado de HONOR e Apple:
| Fabricante | Embarques 1T26 | Market Share 1T26 | Crescimento anual |
|---|---|---|---|
| Samsung | 12,9 mi | 37% | +9% |
| Xiaomi | 6,0 mi | 17% | +3% |
| Motorola | 4,9 mi | 14% | -5% |
| HONOR | 3,4 mi | 10% | +30% |
| Apple | 1,8 mi | 5% | +31% |
| Outros | 5,8 mi | 16% | -16% |
| Total | 34,8 mi | 100% | +3% |
Fonte: Omdia Smartphone Horizon Service (sell-in shipments), maio de 2026. Estimativas da Xiaomi incluem as submarcas POCO e Redmi. TRANSSION inclui TECNO, Infinix e itel. OPPO inclui OnePlus e realme.
A Samsung manteve a liderança com 37% de participação, o maior índice trimestral desde o 1T23, impulsionada pelos modelos da linha A nos segmentos de entrada e médio-alto. A Xiaomi registrou seu sexto trimestre consecutivo de crescimento, beneficiada por ganhos na América Central e no Peru. Já a HONOR e a Apple foram os destaques positivos, com altas de 30% e 31%, respectivamente, enquanto Motorola e o grupo “Outros” recuaram.
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OS CINCO MAIORES MERCADOS CONCENTRAM 73% DOS EMBARQUES
A distribuição do mercado por país revela dinâmicas bastante distintas entre as praças da região, com lideranças variando conforme o perfil de renda e a penetração de cada fabricante:
🇧🇷 Brasil
- Samsung — 46%
- Motorola — 21%
- Xiaomi — 15%
- OPPO — 8%
- Apple — 5%
🇲🇽 México
- Samsung — 25%
- Xiaomi — 17%
- Apple — 16%
- Motorola — 13%
- HONOR — 9%
América Central
- Samsung — 35%
- HONOR — 24%
- Xiaomi — 17%
- TRANSSION — 9%
- Motorola — 7%
🇨🇴 Colômbia
- Xiaomi — 32%
- Samsung — 22%
- TRANSSION — 12%
- Motorola — 11%
- HONOR — 8%
🇵🇪 Peru
- Xiaomi — 28%
- Samsung — 25%
- Motorola — 12%
- HONOR — 11%
- ZTE — 9%
Juntos, os cinco maiores mercados da região responderam por 73% dos embarques totais no trimestre. O Brasil se destaca pela dominância da Samsung, com 46% de participação, enquanto Colômbia e Peru têm a Xiaomi no topo. O México chama atenção pela forte presença da Apple na terceira posição, reflexo do poder aquisitivo mais elevado e da afinidade cultural com a marca naquele país.

ALERTA PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2026
Apesar do resultado positivo no início do ano, a Omdia alerta para um cenário mais desafiador nos próximos meses. Segundo Miguel Ángel Pérez, analista sênior da consultoria, a pressão sobre os custos de memória RAM e armazenamento ainda não havia se refletido nos preços médios de venda no primeiro trimestre, mas o impacto será sentido com mais clareza a partir do segundo semestre.
Para o segundo trimestre, a Omdia projeta normalização dos estoques e repasse gradual dos custos de memória ao consumidor, o que deve resultar em preços de varejo mais altos e desaceleração nas vendas. No segundo semestre, a combinação de custos elevados de componentes com incertezas macroeconômicas pode pressionar ainda mais a demanda, com potencial de estender a contração até o primeiro semestre de 2027.
A gestão ativa dos riscos cambiais e de custos, com planejamento por cenários, será determinante para atravessar o período de forma sustentável. O cenário contrasta com o da Ásia Sudeste, onde o mercado de smartphones recuou 9% no mesmo período, segundo outro relatório da Omdia, com marcas priorizando margem por aparelho em detrimento do volume de vendas, movimento que a América Latina ainda busca evitar.












