A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) participou, nesta terça-feira (19), do Painel Telebrasil Summit 2026, em Brasília, onde conselheiros e o superintendente da Agência alertaram para os crescentes riscos de ataques cibernéticos em um país cada vez mais digital. O fórum reuniu representantes do governo, da Anatel e CEOs das principais operadoras para discutir os rumos da economia digital.
O evento evidenciou o protagonismo do Brasil no cenário global das telecomunicações, mas também expôs fragilidades que precisam ser endereçadas com urgência. O presidente da Agência, Carlos Baigorri, destacou que o país se tornou referência internacional na expansão da fibra óptica e na implementação do 5G, atribuindo o avanço ao alinhamento entre poder público e setor privado.
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BRASIL COMO REFERÊNCIA GLOBAL
Baigorri abriu o evento ressaltando os marcos alcançados pelo setor no país. Em sua avaliação, o sucesso do modelo regulatório está ligado à Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que se mantém atual mesmo diante de inovações como os satélites de baixa órbita. “A disposição do setor empresarial de fazer investimentos, de assumir os riscos e, efetivamente, levar a tecnologia, levar as telecomunicações para todos os cantos e recantos do nosso país”, destacou o presidente.
Para o presidente da Anatel, o papel do regulador deve se concentrar em garantir a livre concorrência e eliminar barreiras de entrada, permitindo que as forças de mercado promovam a qualidade dos serviços. “O papel do regulador é entender como a tecnologia afeta a dinâmica e a estrutura de mercado, garantindo que eventuais ineficiências associadas a falhas de mercado não sejam exacerbadas”, afirmou Baigorri durante o painel sobre IA e conectividade.

CIBERSEGURANÇA NO CENTRO DO DEBATE
O conselheiro Edson Holanda alertou que tratar de inteligência artificial sem abordar cibersegurança representa um risco grave para o país. “Discutir inteligência artificial e, ao mesmo tempo, não discutir cibersegurança, eu acho extremamente perigoso. Porque a IA, do mesmo jeito que vai potencializar o desenvolvimento econômico, também vai potencializar os riscos de cibersegurança”, ponderou o conselheiro durante sua participação no painel sobre infraestrutura digital.
O superintendente Gustavo Borges reforçou a necessidade de o Brasil avançar em uma governança nacional dedicada ao tema. “Na medida em que você está no ambiente digital, há o risco de ataques cibernéticos e de incidentes. O que nós estávamos discutindo é a necessidade de o país avançar em uma governança nacional”, disse. Ele apoiou a criação de uma agência nacional de cibersegurança para disseminar boas práticas ao setor público e privado.
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SOBERANIA DIGITAL E NOVAS FRONTEIRAS REGULATÓRIAS
O conselheiro Alexandre Freire apresentou a estratégia da Anatel para garantir que o Brasil não se torne dependente de infraestruturas e regras definidas externamente. A abordagem foi estruturada em três frentes principais:
1. Regulação de infraestrutura crítica A Anatel avançou na normatização de data centers e cabos submarinos — classificados por Freire como o “sistema nervoso” do trânsito global de dados. O regulamento da Agência é hoje a única norma vigente sobre data centers no país, diante da estagnação de propostas no Congresso e em ministérios.
2. Governança e capacitação técnica A Agência estruturou um plano de capacitação internacional, enviando servidores a instituições como Harvard, Oxford e MIT. O foco especial recai sobre a formação de mulheres em tecnologia. “Uma vez que entendemos que existe um gap significativo na formação de mulheres na área de ciências duras”, observou Freire.
3. Uso ético da inteligência artificial A Anatel inseriu diretrizes para o uso ético da IA no Regulamento Geral de Serviços de Telecomunicações, consolidando sua capacidade de adaptação diante das transformações digitais. O IA_LAB, vinculado ao Centro de Altos Estudos (Caest), centraliza os estudos estratégicos do setor.
PRÓXIMOS PASSOS PARA O SETOR
Holanda celebrou o avanço das bandas largas fixa e móvel, além da universalização da telefonia fixa, como entregas concretas à sociedade. Ao mesmo tempo, alertou que os avanços conquistados precisam ser protegidos contra ameaças internas. O combate à clandestinidade e à criminalidade foi apontado como condição essencial para garantir um ambiente competitivo e seguro a todos os agentes do setor.
“Não adianta pensar no novo sem antes cuidar da casa”, sintetizou Holanda, elegendo o combate à irregularidade como tema prioritário. O Painel Telebrasil Summit 2026 encerrou com um recado claro dos reguladores: o Brasil tem vocação para liderar a transformação digital global, mas esse protagonismo exige governança robusta, segurança e inclusão para avançar com soberania e competitividade no ambiente digital.












