
Um sócio minoritário da Ligga Telecom recorreu à Justiça para tentar suspender as negociações de venda da operadora paranaense. A iniciativa ocorre após questionamentos sobre a condução do processo e alegações envolvendo a gestão de recursos da companhia.
De acordo com matéria do G1, o acionista Agnaldo Bastos Lopes, por meio da empresa SR22, que detém aproximadamente 4% de participação na Ligga Telecom, sustenta que não teve acesso adequado a informações consideradas essenciais em processos de fusões e aquisições.
Segundo o relato, ele afirma ter sido excluído de etapas relevantes das negociações, incluindo o compartilhamento de documentos estratégicos e dados financeiros que normalmente integram procedimentos de due diligence.
A ação judicial movida por Bastos Lopes pede a suspensão das tratativas até que as informações sejam disponibilizadas de forma integral. As negociações envolveriam a Brasil Tecpar como potencial compradora.
Ainda conforme o G1, as conversas teriam caráter preliminar e não vinculante até o momento. O caso adiciona incertezas a um movimento que pode redesenhar o cenário regional de telecomunicações.
Alegações sobre debêntures e aplicações financeiras
Outro eixo do questionamento envolve a destinação de recursos captados pela companhia. Reportagem da Gazeta do Povo informa que o sócio minoritário aponta possíveis irregularidades na aplicação de valores obtidos por meio de debêntures incentivadas, cujo montante ultrapassaria R$ 1 bilhão.
Esses títulos costumam ter como finalidade investimentos em infraestrutura, com benefícios fiscais atrelados. A alegação é de que parte dos recursos não teria sido direcionada exclusivamente a essa finalidade.
Ainda segundo a Gazeta do Povo, cerca de R$ 400 milhões teriam sido aplicados em ativos ligados ao Banco Master. O tema ganhou relevância diante de desdobramentos recentes envolvendo a instituição financeira, o que ampliou a repercussão do caso.
Posicionamento da empresa
Em nota mencionada pela própria Gazeta do Povo, a administração da Ligga Telecom afirmou que a companhia atua em conformidade com a legislação vigente e adota práticas adequadas de governança corporativa.
A empresa também classificou o episódio como uma divergência societária e ressaltou que mantém suas operações normalmente, sem impactos na prestação de serviços aos clientes.
O Minha Operadora também entrou em contato com a Ligga, mas, até a publicação dessa matéria a empresa ainda não havia se manifestado diretamente.
Repercussões no setor
A disputa ocorre em um momento estratégico para o mercado regional de telecomunicações. A eventual venda da Ligga Telecom pode alterar a dinâmica competitiva no Paraná, especialmente em cidades onde a operadora tem presença consolidada.
Conflitos societários em meio a negociações de venda costumam exigir maior rigor na análise de informações financeiras e jurídicas. Esse cenário pode alongar prazos e influenciar as condições finais de um eventual acordo.
Até o momento, não há decisão definitiva da Justiça sobre o pedido de suspensão das negociações. O caso segue em andamento.
* Com informações do G1 e da Gazeta do Povo












