Reprodução/Gemini

Cuidado! Por que o seu celular resistente à água pode te deixar na mão?

Cristino Melo
5 min de leitura

Ao comprar um celular com certificação de resistência à água, como IP67 ou IP68, muitos consumidores brasileiros acreditam ter uma proteção permanente contra líquidos — mas essa segurança é ilusória. Hoje, fabricantes como Apple, Samsung, Motorola, Xiaomi, Oppo e Jovi confirmam que a vedação se desgasta ao longo do tempo, tornando o aparelho cada vez mais vulnerável a danos causados pela água.

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O que é a certificação IP e o que ela significa

A certificação IP (ingress protection) é um padrão internacional criado pela IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional) que classifica o nível de proteção de dispositivos contra poeira e líquidos. O código é composto por dois dígitos — o primeiro indica a proteção contra sólidos e o segundo, contra água.

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1º dígito — Proteção contra objetos sólidos e poeira

CódigoProteção
0Sem proteção
1Contra objetos sólidos com mais de 50 mm de diâmetro
2Contra objetos sólidos com mais de 12,5 mm de diâmetro
3Contra objetos sólidos com mais de 2,5 mm de diâmetro
4Contra objetos sólidos com mais de 1 mm de diâmetro
5Proteção contra poeira (entrada limitada, sem danos)
6Totalmente à prova de poeira
XNão testado ou não se aplica

2º dígito — Proteção contra água

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Nível (2º dígito)Tipo de proteção contra água
IPX4Proteção contra respingos de água de qualquer direção
IPX5/6Proteção contra jatos de água (fortes no caso do nível 6)
IPX7Imersão em até 1 metro de profundidade por 30 minutos
IPX8Imersão em até 1,5 metro de profundidade por 30 minutos
IPX9Proteção contra jatos de alta pressão e alta temperatura

Na prática, os celulares mais comuns no mercado brasileiro chegam com certificação IP67 ou IP68. Um aparelho IP68, por exemplo, tem proteção total contra poeira e suporta imersão em até 1,5 metro por 30 minutos — mas apenas quando o produto é novo e testado em condições controladas de laboratório, com água doce.

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Por que a proteção diminui com o tempo

Nenhum fabricante garante por quanto tempo essa proteção vai durar, pois o desgaste depende do estilo de uso de cada pessoa. Os principais fatores que aceleram a perda da vedação são:

  • Uso diário: o contato constante com o ambiente vai degradando naturalmente os materiais de vedação
  • Quedas: mesmo sem quebrar a tela ou amassara carcaça, impactos enfraquecem a proteção interna
  • Respingos frequentes: a exposição repetida a líquidos contribui para o desgaste progressivo

Ou seja, um celular de aparência intacta pode estar muito mais vulnerável à água do que parece.

Praia, piscina e chuva: o que fazer em cada situação

Outro ponto importante é que os testes de resistência são feitos apenas com água doce e em ambiente de laboratório. Marcas como a Samsung alertam explicitamente que seus aparelhos não devem ser usados na praia ou na piscina, onde a presença de sal, cloro e areia acelera a degradação dos componentes de vedação. Essas informações, no entanto, costumam aparecer em letras miúdas em notas de rodapé ou páginas de suporte.

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Se o celular pegar chuva e não houver danos visíveis, o recomendado é secar o aparelho normalmente — sem usar arroz, método que não tem eficácia comprovada. É comum que a água penetre pelas aberturas de microfones, alto-falantes e entradas de conexão, causando falhas temporárias. O ideal é deixar o aparelho em local ventilado até que seque completamente.

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