
No ano passado, uma das maiores iniciativas de inclusão digital já realizadas no país levou internet de alta capacidade a 3,5 milhões de brasileiros. A maior parte desse público vive em favelas e periferias, áreas que, por muito tempo, ficaram fora do alcance da infraestrutura digital tradicional.
O projeto, liderado pelo Ministério das Comunicações, foi viabilizado com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Ao todo, foram aplicados R$ 2,8 bilhões, em um modelo que favoreceu o financiamento a provedores regionais, especialmente de pequeno e médio porte.
Provedores locais ampliam presença onde as grandes não chegam
De acordo com o ministério, boa parte da expansão aconteceu graças à atuação de 479 empresas, que foram responsáveis por levar rede a 1.223 municípios espalhados pelo país.
O foco recaiu sobre áreas que não costumam ser prioridade para operadoras nacionais, seja por dificuldade de acesso, seja pela baixa atratividade comercial.
Nessas localidades, foram instalados 12 mil km de fibra óptica e 616 estações rádio base compatíveis com redes 4G e 5G. Com isso, mais de 780 mil domicílios passaram a contar com conexão de qualidade, número que inclui 680 comunidades de favelas. São áreas onde, até pouco tempo atrás, o sinal mal chegava, quando chegava.
Internet como ferramenta de inclusão
A chegada da internet tem um efeito direto na vida cotidiana: facilita o acesso à educação a distância, consultas médicas online, oportunidades de trabalho remoto e até serviços públicos.
Isso se reflete, também, na economia local. O fortalecimento dos provedores regionais gera emprego, movimenta o comércio e ajuda a reduzir desigualdades estruturais.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, resumiu a proposta citando suas principais potencialidades. “Conectividade é inclusão, é oportunidade e é cidadania. Esse investimento garante que milhões de brasileiros tenham acesso a serviços, informação e novas oportunidades de investimento”.
O papel do Fust nesse processo
O Fust é um fundo público criado para ampliar o acesso aos serviços de telecomunicações. Sua gestão é feita pelo Ministério das Comunicações, com execução financeira sob responsabilidade do BNDES.
Os recursos podem ser aplicados em diferentes modelos. Nesse caso, o reembolsável, voltado a empresas com capacidade de expandir a rede em áreas vulneráveis.
Ao injetar capital nessas regiões por meio de pequenos operadores, o governo consegue chegar a locais que, por critérios puramente econômicos, continuariam desconectados.
Caminho para a conectividade real
Mais do que atingir metas numéricas, a iniciativa busca corrigir uma distorção histórica: milhões de brasileiros que vivem nas franjas dos grandes centros urbanos, ou em cidades menores, ainda enfrentam dificuldade de acesso à internet estável.
Esse projeto, que combina investimentos públicos e ação descentralizada de provedores regionais, representa uma mudança concreta no mapa da conectividade no Brasil, com impacto direto na vida das pessoas.





