Imagem: Midjourney/Reprodução

Expansão global das MVNOs contrasta com entraves no Brasil

Goodanderson Gomes
4 min de leitura
Imagem: Midjourney/Reprodução

A participação das MVNOs (operadoras móveis virtuais) no mercado global de telecom deve crescer de maneira expressiva nos próximos anos. 

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De acordo com estimativas da consultoria Juniper Research, o número de usuários desse modelo no mundo deve passar dos atuais 333 milhões para 438 milhões até 2030. 

A expansão está atrelada, em grande parte, ao avanço das chamadas MVNOs in a box, solução que permite a criação rápida e simplificada de operadoras por empresas de diversos segmentos.

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O modelo tem atraído nomes de fora do setor tradicional de telecomunicações. Fintechs, varejistas e até celebridades enxergam nas MVNOs uma ferramenta para fidelizar clientes e ampliar a presença de marca. 

Casos como o da Mint Mobile, impulsionada pelo ator Ryan Reynolds, e o do Nubank, que integrou um serviço de telefonia ao seu app, reforçam a tendência.

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A expectativa é que as MVNOs movimentem mais de US$ 54 bilhões globalmente em 2030, sendo quase US$ 2 bilhões originados apenas do formato in a box

A facilidade de implementação e o baixo custo operacional são os principais atrativos para empresas que buscam diversificação de receitas sem comprometer sua atividade principal.

No Brasil, projeções modestas e pouca adesão

Apesar do otimismo internacional, o cenário brasileiro ainda caminha em ritmo mais lento. Segundo Olinto Sant’Ana, presidente da Associação Brasileira de Operadoras Móveis (ABRATUAL), o país representa apenas 3% do mercado global de MVNOs, o que equivaleria a cerca de 3 milhões de usuários projetados para 2030.

Sant’Ana destaca que, no Brasil, iniciativas como as da Porto Seguro e do Banco Safra, que chegaram a lançar suas próprias MVNOs, acabaram descontinuadas. 

Para ele, muitas dessas iniciativas são movidas por estratégias de marketing e carecem de comprometimento com o modelo. “Esse mercado só deve progredir com empresas totalmente focadas nele”, avalia.

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Regulação segue como ponto crítico

Outro obstáculo está na regulação. Em 2025, a Anatel aprovou um novo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), que alterou regras ligadas ao roaming e ao uso do espectro. 

Críticas do setor apontam que a decisão de retirar a obrigatoriedade de ofertas de atacado para MVNOs pode limitar a competição, já que obriga contratos exclusivos entre operadoras e suas parceiras virtuais.

A mudança é vista com cautela por representantes do setor, que defendem mais abertura e incentivos à pluralidade no mercado móvel.

Qualidade e atendimento: os próximos desafios

Além da regulação e da viabilidade comercial, o futuro das MVNOs depende diretamente da qualidade dos serviços oferecidos. A consultoria Juniper Research alerta para os riscos à reputação das marcas que se aventuram nesse modelo sem preparo adequado. Plataformas robustas de CRM e gestão de clientes são apontadas como essenciais para manter a confiança do consumidor.

De toda forma, embora o ambiente global aponte para crescimento, o Brasil ainda precisa superar barreiras técnicas, regulatórias e estratégicas. A promessa de expansão das MVNOs existe, mas, por aqui, ela ainda parece caminhar em uma frequência própria.

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