14/01/2026

Expansão global das MVNOs contrasta com entraves no Brasil

Estudo projeta salto de 100 milhões de usuários de operadoras móveis virtuais até 2030, mas cenário brasileiro segue limitado por entraves regulatórios e falta de foco empresarial.

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Imagem: Midjourney/Reprodução

A participação das MVNOs (operadoras móveis virtuais) no mercado global de telecom deve crescer de maneira expressiva nos próximos anos. 

De acordo com estimativas da consultoria Juniper Research, o número de usuários desse modelo no mundo deve passar dos atuais 333 milhões para 438 milhões até 2030. 

A expansão está atrelada, em grande parte, ao avanço das chamadas MVNOs in a box, solução que permite a criação rápida e simplificada de operadoras por empresas de diversos segmentos.

O modelo tem atraído nomes de fora do setor tradicional de telecomunicações. Fintechs, varejistas e até celebridades enxergam nas MVNOs uma ferramenta para fidelizar clientes e ampliar a presença de marca. 

Casos como o da Mint Mobile, impulsionada pelo ator Ryan Reynolds, e o do Nubank, que integrou um serviço de telefonia ao seu app, reforçam a tendência.

A expectativa é que as MVNOs movimentem mais de US$ 54 bilhões globalmente em 2030, sendo quase US$ 2 bilhões originados apenas do formato in a box

A facilidade de implementação e o baixo custo operacional são os principais atrativos para empresas que buscam diversificação de receitas sem comprometer sua atividade principal.

No Brasil, projeções modestas e pouca adesão

Apesar do otimismo internacional, o cenário brasileiro ainda caminha em ritmo mais lento. Segundo Olinto Sant’Ana, presidente da Associação Brasileira de Operadoras Móveis (ABRATUAL), o país representa apenas 3% do mercado global de MVNOs, o que equivaleria a cerca de 3 milhões de usuários projetados para 2030.

Sant’Ana destaca que, no Brasil, iniciativas como as da Porto Seguro e do Banco Safra, que chegaram a lançar suas próprias MVNOs, acabaram descontinuadas. 

Para ele, muitas dessas iniciativas são movidas por estratégias de marketing e carecem de comprometimento com o modelo. “Esse mercado só deve progredir com empresas totalmente focadas nele”, avalia.

Regulação segue como ponto crítico

Outro obstáculo está na regulação. Em 2025, a Anatel aprovou um novo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), que alterou regras ligadas ao roaming e ao uso do espectro. 

Críticas do setor apontam que a decisão de retirar a obrigatoriedade de ofertas de atacado para MVNOs pode limitar a competição, já que obriga contratos exclusivos entre operadoras e suas parceiras virtuais.

A mudança é vista com cautela por representantes do setor, que defendem mais abertura e incentivos à pluralidade no mercado móvel.

Qualidade e atendimento: os próximos desafios

Além da regulação e da viabilidade comercial, o futuro das MVNOs depende diretamente da qualidade dos serviços oferecidos. A consultoria Juniper Research alerta para os riscos à reputação das marcas que se aventuram nesse modelo sem preparo adequado. Plataformas robustas de CRM e gestão de clientes são apontadas como essenciais para manter a confiança do consumidor.

De toda forma, embora o ambiente global aponte para crescimento, o Brasil ainda precisa superar barreiras técnicas, regulatórias e estratégicas. A promessa de expansão das MVNOs existe, mas, por aqui, ela ainda parece caminhar em uma frequência própria.

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