
A Oi publicou na última sexta-feira (23) a lista oficial contendo mais de 2,7 mil credores extraconcursais para organizar um leilão reverso que visa quitar dívidas bilionárias acumuladas entre o início de 2023 e o fim de 2025. A iniciativa busca reduzir o passivo da companhia por meio de descontos agressivos, permitindo que a empresa reorganize suas finanças fora do plano principal de recuperação judicial, garantindo a manutenção de serviços essenciais prestados por esses fornecedores.
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Gigantes da infraestrutura lideram a lista
Entre as empresas que possuem os maiores montantes a receber, as operadoras de infraestrutura de torres e grandes grupos de mídia aparecem no topo do ranking. A Lemvig, empresa controlada pelo grupo Highline e que adquiriu ativos da rede fixa da tele em 2023, é a maior credora individual. Esse cenário demonstra a forte dependência que a companhia ainda mantém de parceiros estratégicos para sustentar sua operação de rede em todo o território nacional durante este período de transição.
Confira abaixo as principais empresas e os respectivos valores devidos pela operadora:
- LEMVIG (Grupo Highline): R$ 463 milhões
- IHS Brasil: R$ 176 milhões
- Grupo Globo: R$ 139 milhões
- Cemig: R$ 95 milhões
- Bradesco: R$ 75 milhões
- American Tower: R$ 75 milhões
- Itaú: R$ 58 milhões
- Teravoz Telecom: R$ 55 milhões
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Diversidade de credores e setores atingidos
O impacto da crise financeira da tele se estende por diversos pilares da economia, desde o setor financeiro até o de utilidade pública. Além dos grandes bancos, distribuidoras de energia como Copel e Light figuram com valores expressivos a receber, totalizando dezenas de milhões de reais. Até mesmo as concorrentes diretas do setor de telecomunicações, como Vivo, Claro e TIM, possuem créditos pendentes, o que evidencia a complexa rede de interconexão necessária para o funcionamento do mercado.
A lista também chama a atenção pela presença de 229 prefeituras, incluindo capitais como Salvador e Goiânia, que aguardam o pagamento de taxas e serviços. Enquanto algumas cidades possuem centenas de milhares de reais em haver, outras registram valores simbólicos. Esse detalhamento mostra que a reestruturação da operadora não afeta apenas grandes investidores, mas impacta diretamente as contas públicas de municípios que dependem desses repasses para seus orçamentos locais.
Regras e funcionamento do leilão reverso
Para gerir esses pagamentos, a estratégia é clara: a Oi lança leilão de dívidas extraconcursais buscando descontos de até 70 por cento para aqueles que possuem mais de R$ 1 milhão a receber da tele. O objetivo é priorizar a liquidez imediata para quem aceitar abrir mão de uma fatia generosa do crédito. A empresa reservou R$ 250 milhões para este fim, dividindo os recursos entre grandes e pequenos credores conforme as regras estabelecidas.
| Faixa de Crédito | Desconto Mínimo | Valor Disponível |
| Até R$ 1 milhão | 40% | R$ 16,2 milhões |
| Acima de R$ 1 milhão | 70% | R$ 233,7 milhões |
| Limite por Credor | – | R$ 20 milhões |
O cenário jurídico e o futuro financeiro
No âmbito jurídico, o processo segue monitorado de perto pelas autoridades para garantir a transparência e a legalidade das movimentações financeiras. Recentemente, o TJ-RJ decide prorrogar suspensão de pagamentos da Oi até abril, garantindo que a empresa tenha fôlego para realizar o certame sem o risco imediato de novos bloqueios em suas contas. Essa proteção é vital para que a operadora consiga focar na manutenção operacional enquanto negocia os passivos.
Em outra frente jurídica, o STJ barra pagamento milionário a administrador judicial da Oi, o que demonstra o rigor da fiscalização sobre cada centavo movimentado no processo de reestruturação da gigante das telecomunicações. Essa decisão reforça a necessidade de austeridade em todas as esferas do processo, assegurando que os recursos disponíveis sejam direcionados prioritariamente para a quitação das dívidas operacionais e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
Impactos no mercado de capitais
No mercado de capitais, a pressão continua, visto que as ações da Oi são retiradas do pregão contínuo da B3 após queda persistente, refletindo a cautela dos investidores diante do complexo cenário de endividamento da companhia. A transição para o mercado de balcão ou outras formas de negociação limita a liquidez dos papéis, enquanto o mercado aguarda os resultados práticos do leilão reverso e das negociações com os grandes credores de infraestrutura.





