12/01/2026

Adeus? O ano de 2026 deve marcar a extinção dos orelhões

Com uso cada vez mais raro e custos elevados, telefones públicos entram em fase final de retirada em centros urbanos. Decisão tem aval da Anatel.

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Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução

Ao que parece, começou o adeus definitivo a um dos símbolos mais marcantes do espaço público brasileiro. A partir de 2026, orelhões começam a ser removidos das grandes cidades, encerrando uma trajetória de mais de cinco décadas nas calçadas urbanas de todo o Brasil.

A decisão, autorizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), afeta terminais que, nos últimos anos, deixaram de ser ferramenta de comunicação para se tornarem peças obsoletas e, em muitos casos, meros obstáculos urbanos.

A retirada acontece após mudanças no modelo de concessão das operadoras de telefonia fixa, que passaram a atuar sob o regime de autorização.

Com isso, empresas como Oi, Claro e Vivo deixam de ser obrigadas a manter os aparelhos em áreas com ampla cobertura de rede móvel. A nova realidade legal reflete uma constatação prática: os orelhões não têm mais a função que um dia desempenharam.

Quase em silêncio

Relatórios recentes apontam que boa parte dos orelhões espalhados pelas metrópoles brasileiras registram menos de uma ligação por dia. Em paralelo, os custos de manutenção cresceram, sobretudo por conta do vandalismo frequente e da dificuldade de encontrar peças de reposição. 

Em muitos pontos, os aparelhos permanecem no local apenas como suporte para cartazes irregulares ou barreiras no fluxo de pedestres.

A previsão é que cerca de 30 mil telefones públicos sejam removidos ao longo do ano, com prioridade para aqueles situados em regiões comerciais e avenidas de grande circulação. 

A medida é encarada como uma modernização da infraestrutura urbana, mas também marca o fim de um capítulo da história da comunicação no país.

Um legado de design

Criado nos anos 1970 pela arquiteta Chu Ming Silveira, o orelhão foi pensado para ser prático, resistente e acessível. Sua icônica cúpula arredondada, feita de fibra de vidro, oferecia isolamento acústico e proteção contra chuva, sem a necessidade de cabines fechadas. 

O design original não só se popularizou como se tornou referência em diversas cidades brasileiras e até objeto de estudos em arquitetura e urbanismo.

Apesar da remoção em ambientes urbanos, a Anatel não descarta a manutenção de terminais em localidades onde o acesso à telefonia móvel ainda é limitado. 

Aldeias indígenas, regiões rurais e áreas remotas devem continuar contando com telefones públicos em caráter emergencial ou de utilidade pública.

Entre a memória e a transição

Com a saída dos orelhões das paisagens das grandes cidades, encerram-se também as histórias cotidianas que esses aparelhos ajudaram a construir. 

Para muitos, eles foram o elo com familiares distantes, socorro em situações de emergência ou simplesmente o ponto de contato com o mundo exterior em tempos em que o celular ainda não era realidade.

Agora, os poucos que restarem serão exceção. E a maioria, silenciosa, deixará para trás apenas uma lembrança: a de quando parar na calçada para fazer uma ligação era parte do dia a dia de qualquer brasileiro.

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