21/02/2024

Disputa comercial dos EUA e China pode elevar potencial da Huawei

Restrições dos EUA podem abrir caminho para a Huawei ganhar destaque na tecnologia de Inteligência Artificial.

A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China continua a se desenrolar. Recentemente, a Casa Branca anunciou uma proibição antecipada de exportação de determinados modelos de chips semicondutores para a China. Esta ação tem um impacto direto sobre a empresa Nvidia, que agora está impedida de vender seus chips A800 e H800 para o mercado chinês.

EUA China

Esta decisão, por outro lado, pode ter implicações significativas para a Huawei. A companhia chinesa planeja lançar em breve um novo chip de Inteligência Artificial (IA). Com a restrição imposta à Nvidia, a Huawei pode encontrar uma vantagem competitiva, já que sua tecnologia de IA pode ganhar mais destaque no mercado chinês, devido à limitação nas opções de chips semicondutores disponíveis.

Nos últimos quatro anos, a Huawei intensificou seus investimentos na área de chips de IA, demonstrando um compromisso significativo com o desenvolvimento tecnológico. Em 2019, a empresa chinesa anunciou oficialmente o lançamento do chip Ascend 910, evidenciando seu avanço no campo da IA.

No entanto, no mesmo ano, a Huawei enfrentou desafios substanciais em sua trajetória de crescimento devido às restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos. Essas sanções representaram um obstáculo para os planos da empresa, impedindo-a de competir efetivamente com a Nvidia, uma importante concorrente global no mercado de tecnologias de IA.

Os especialistas destacam que a Huawei, apesar de possuir seu próprio ecossistema de software para IA, enfrenta limitações em comparação com suas contrapartes ocidentais. Isso se reflete na capacidade da empresa chinesa de treinar modelos de IA, que se mostra inferior à da concorrente ocidental. Em outras palavras, as restrições impostas pelos Estados Unidos afetaram a capacidade da Huawei de expandir seu domínio no campo da inteligência artificial, dificultando sua competição com empresas como a Nvidia.

Porém, vale mencionar que recentemente a Casa Branca implementou proibições de venda que afetaram o mercado chinês, tendo um impacto notável na Huawei. Como resultado, a empresa chinesa tem agora uma oportunidade significativa de se destacar no mercado interno. Além disso, a Huawei está prestes a lançar seu mais recente chip de inteligência artificial, o Ascend 910B.

Em um comunicado durante a teleconferência de resultados da iFlyTek no mês passado, o vice-presidente sênior, Jiang Tao, afirmou que as capacidades do Ascend 910B são comparáveis às do A100 da Nvidia, um chip amplamente respeitado no campo da IA. Isso demonstra o potencial e a competitividade do novo produto da Huawei no mercado de chips de IA.

A importância do Ascend 910B é ainda mais destacada pelo fato de que a Baidu, uma das principais empresas de tecnologia da China, encomendou 1.600 desses chips para serem usados em 200 servidores em agosto. Essa encomenda expressiva indica a confiança da Baidu na Huawei e em seu chip de IA, sugerindo que a Huawei pode ganhar uma posição de destaque no mercado interno e internacional de tecnologia de inteligência artificial.

Essas informações foram relatadas pela Reuters, destacando a relevância e o impacto das proibições comerciais e o potencial da Huawei no setor de tecnologia da IA.

Diversos relatos indicam que os novos chips fabricados pela Huawei demonstram níveis de poder de computação bruto comparáveis aos produtos da Nvidia. No entanto, eles ainda apresentam um desempenho inferior em algumas áreas. Não obstante, esses chips são considerados a alternativa doméstica mais sofisticada disponível na China. Essa situação deve resultar em um aumento significativo das receitas da Huawei, estimado em mais de US$ 7 bilhões, o equivalente a mais de R$ 35 bilhões, e também é provável que a empresa conquiste uma fatia de mercado superior a 90% em relação à Nvidia no país.

O governo dos Estados Unidos está promovendo a produção nacional de chips e o desenvolvimento da inteligência artificial. Eles estão restringindo o acesso da China a produtos relacionados a semicondutores e tecnologia, impedindo Pequim de importar chips avançados, adquirir insumos para desenvolver seus próprios semicondutores e supercomputadores, além de componentes, tecnologia e software dos EUA que poderiam ser usados na fabricação de equipamentos para a produção de chips. Também estão proibindo cidadãos americanos de apoiar a produção de semicondutores avançados na China, seja por meio de manutenção, consultoria ou autorização de entregas.

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