22/05/2024

Bolsonaro teve reunião fora da agenda para discutir venda da Globo

Quebra de sigilo telemático de assessores do ex-presidente aponta que Jair discutiu o assunto com Mauro Cid e Célio Faria; saiba mais.

A quebra dos sigilos telemáticos de assessores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL mostrou que o político realizou vários encontros e compromissos oficiais do governo sem o registro formal. Inclusive, em uma reunião realizada no dia 13 de setembro de 2021, na casa do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro teria discutido a venda da Rede Globo.

Segundo com mensagens trocadas entre Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, e Célio Faria, então chefe do gabinete pessoal do presidente e depois ministro da Secretaria de Governo, Cid informou que Jair Bolsonaro estava na casa de Toffoli e citou ainda outros nomes, como o procurador-geral da República, Augusto Aras, e André Esteves, presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual.

Quando Cid escreveu “André Esteves”, Célio questionou com um “do BTG?”. O ajudante de ordens então confirma (“isso”) e emenda: “comprar a Globo…”. Cid ainda escreveu “Está falida”, tecendo críticas a Globo e afirmando que se fosse vender a emissora, seria melhor vender para Esteves do que para os “chineses”.

O BTG Pactual e a Rede Globo foram procurados para se pronunciarem sobre o assunto, mas somente a emissora se manifestou. Em nota, a líder de audiência afirmou desconhecer a realização do suposto encontro, mas se existiu ou se o tema veio realmente a ser discutido, se trata de uma fantasia, uma vez que nunca houve qualquer intenção de venda do Grupo Globo, cuja saúde financeira é reconhecida pelo mercado.

A defesa diz que Mauro Cid só se manifesta nos autos. Célio não foi localizado. A assessoria de Aras não respondeu, assim como Toffoli.

Entre outros encontros não registrados oficialmente pelo ex-presidente, estão alguns datados entre 27 de março e em 19 de outubro de 2021 com o deputado federal e ex-presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG). Aécio afirma que esteve com o ex-presidente “para buscar apoio do governo para o projeto de quebra de patentes de vacinas do qual foi relator e defendeu como presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, e, depois, para discutir a posição do governo em relação aos vetos“.

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