Crescimento de provedores regionais está incomodando grandes teles

Cleane Lima
3 min de leitura

As empresas regionais que oferecem serviço de banda larga fixa no Brasil, juntas, já possuem 47,5% de participação do mercado, superando conjuntamente a Claro (23,2%), Vivo (15,1%) e Oi (12,1%), segundo dados compilados pela consultoria Teleco. Acontece que as grandes teles não estão gostando nada disso e estão pedindo que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) revise os estímulos concedidos a esse provedores.

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Esse crescimento tem incomodado as grandes empresas, que têm encontrado uma concorrência mais acirrada, e na sua visão, desigual. O argumento dessas companhias é que uma boa parte desses provedores regionais cresceram muito e já estão concorrendo de igual para igual, não precisando assim mais de auxílios para atuar.

O conceito de Prestadoras de Pequeno Porte (PPP) foi atualizado pela última pela Anatel em 2018, quando os provedores locais mantinham apenas 5% de participação no mercado, sendo que geralmente ofereciam o serviço em localidades em que as grandes teles não chegavam.

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Agora, essas empresas de pequeno e médio porte já estão presentes em muitas praças e concorrendo com as nacionais, assim como ambas modalidades se encontram também em menores municípios.

Nesse cenário, a concorrência desleal ocorre pelos benefícios que esses provedores regionais possuem, como não serem obrigados a pagar custos com medição de indicadores de qualidade, não precisam manter centrais de atendimento 24 horas por dia, nem manterem lojas físicas, além de pagarem menos impostos.

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Embora tenham, individualmente, pouca participação no mercado, algumas PPPs se tornaram expressivas, como Brisanet, que tem 1 milhão de assinantes, mas apenas 2,3% de participação de mercado nacional), Desktop (727 mil, ou 1,7%), Vero (676 mil, 1,6%) e Unifique (514 mil, 1,2%), mas chegam a liderar em várias praças.

A diretora de regulamentação da Claro, Monique Barros, cobra a atuação da Anatel para a atualização do regulamento. “A atuação da Anatel foi importante nos últimos anos para difundir a internet. Isso ninguém nega, mas é importante atualizar a regulamentação. A dosagem está um pouco enganada“, disse.

Monique Barros defende que a caracterização das PPPs passe a ter como referência a presença nos mercados por cidade ou região, e não com base na participação no mercado nacional, como é atualmente. Segundo ela, essas empresas regionais já lideram 80% dos municípios, e que, quase metade deles, são líderes com detenção de 60% dos clientes, dificultando a atuação de outras companhias.

Já a diretora de regulamentação da Oi, Viviane Perdigão, corrobora com o assunto afirmando que os provedores pequenos pagam carga tributária 42% menor do que as grandes teles.

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