Como as operadoras de celular podem ajudar no caso Marielle?

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Policiais vão usar dados de antenas de telefonia nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.



Moradores do Rio de Janeiro, brasileiros, a internet e o mundo se chocaram com a notícia do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, na última quarta-feira (15). Foi a data em que um carro emparelhou ao lado do veículo que eles estavam ao voltar de um evento, disparando vários tiros e atingindo fatalmente os dois.


Quase uma semana depois do ocorrido, nenhum culpado foi identificado. E o que isso tem a ver com as operadoras de celular? Bem, pode ser que tudo. Desde ontem (19), conforme noticiou o Jornal Nacional, as investigações da Polícia Civil do RJ avançaram para mais uma etapa, em que se busca analisar as antenas da região e o uso de celulares nos momentos que antecederam o crime.











O que foi observado?




De acordo com as imagens divulgadas pelo programa Fantástico (TV Globo), no último domingo (18), é possível visualizar, em uma das câmeras de segurança na Casa das Pretas – local do evento em que Marielle esteve pela última vez –, que o carro prata conduzido pelos bandidos, que mais tarde fariam a execução, já estava no local esperando pela vereadora.



Com os vidros pretos, não dá para ver quem estava no carro, mas é possível notar que o indivíduo que estava no banco do motorista utilizava um celular e que, enquanto esperava a vereadora sair do evento, utilizou o aparelho em vários momentos, muito provavelmente para troca de mensagens.
Reprodução/TV Globo

Como as operadoras podem colaborar?

Quem matou Marielle? Quem está por trás dos crimes? Talvez, essas respostas possam ser alcançadas com a ajuda das operadoras que atuam na região, em uma busca pelo celular (ou celulares) utilizados pelos bandidos naquela noite.
A polícia já sabe o percurso mais provável que a vereadora fez e que foi perseguida na noite do crime. Foram cerca de 2 km e 7 minutos, da Rua dos Inválidos até a Av. Salvador de Sá, onde houve a execução. Somente neste trajeto, existem 26 antenas de cinco operadoras, de acordo com o Telebrasil.
A ideia, agora, é que as operadoras forneçam os dados das antenas e que a investigação possa cruzá-los para avançar na busca pelos criminosos.
Reprodução/TV Globo

O que a polícia fará com os dados?

Conforme explicado pela matéria exibida pela TV Globo, cada uma das 26 antenas disponíveis na região capta o sinal em 360 graus, mas é possível direcionar a busca para conseguir chegar até os telefones celulares que foram usados no trajeto em que o carro em que estava Marielle passou naquela noite.
Acontece que o cruzamento de dados envolveria milhares de pessoas que usaram o celular naquele mesmo percurso, em horas antes e depois do crime, principalmente com base em ligações realizadas e recebidas, o que dificulta o trabalho de investigação.
Por outro lado, é possível buscar padrões de uso que encontrem atividades suspeitas, como ligações repetidas de curta duração – que poderiam ter sido realizadas para a comunicação dos bandidos –, e identificar números que utilizaram a rede, mas não costumam frequentar aquela região.
Com os dados das operadoras, a polícia consegue saber quantos aparelhos fizeram ligações ou mandaram mensagens nas proximidades do crime, apesar de não ter acesso ao conteúdo das conversas.
Reprodução/TV Globo

Marielle, que foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro em 2016, era socióloga, ativista social, lutava pelos direitos humanos e era crítica da intervenção militar no Rio. Morreu aos 38 anos, após levar quatro tiros na cabeça.



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