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Oi diz “sim” a proposta de fusão com a TIM

Operadora pediu negociações exclusivas com fundo de investimento russo.

O anúncio de fusão das operadoras Oi e TIM pode sair em 2016. Pelo menos no que depender da Oi, os procedimentos para uma possível consolidação do setor de telecomunicações brasileiro já podem começar a ser discutidos.

A proposta do fundo de investimento russo Letter One, do bilionário Mikhail Fridman, – de injetar US$ 4 bilhões na companhia se ela se fundir com a TIM – foi aceita pelo Conselho de Administração da operadora brasileira. Na verdade, a Oi fez uma contra proposta, exigindo conversas com exclusividade durante os próximos sete meses sobre o processo de fusão, e a garantia de que realmente serão investidos 4 bilhões de dólares no processo de fusão, e não até US$ 4 bi. A Letter One aceitou as condições impostas pela Oi.

Boatos de que a TIM seria fatiada entre as principais operadoras do país, ou seria engolida pela Oi, circulam desde o ano passado. Esta é a primeira vez que a Oi se pronuncia confirmando o seu interesse na operação. Além de informar que recebeu a proposta de um investidor russo interessado na consolidação do mercado brasileiro, a operadora defendeu a união com a sua atual rival por meio de um comunicado enviado aos seus acionistas:
“Uma potencial união da Oi com a TIM Participações deve resultar na constituição de um operador mais completo e bem posicionado, capaz de competir com players [grupos] globais já instalados no país”, afirma a operadora.

A TIM é mais discreta, e não costuma comentar sobre o assunto. Na semana passada, o diretor presidente da operadora, Rodrigo Abreu, aproveitou a participação em evento do setor para dizer que até acha o negócio viável, mas somente se o governo brasileiro mudar as regras de concessão para o serviço de telefonia fixa. A preocupação da companhia é herdar todas as obrigações impostas pelo governo para cumprir metas de universalização do telefone fixo. Para que a Oi consiga permanecer com a infraestrutura herdada das estatais do século passado, a operadora precisa cumprir com uma série de exigências. Com a queda na utilização dos serviços de voz fixa, os investimentos obrigatórios a ser realizados no setor acabam prejudicando financeiramente a empresa, e a TIM não quer isso. A Oi é a maior empresa de telefonia fixa do país, com mais de 15 milhões de linhas ativas.

No setor de banda larga fixa, haveria a oportunidade de a TIM expandir a sua pequena operação de pouco mais de 200 mil assinantes presente no Rio de Janeiro e São Paulo, a Live TIM, para toda a área de cobertura da Oi. Sem contar que a operadora receberia os mais de 6 milhões de clientes do Oi Velox, a segunda maior base de assinantes do território nacional.

Na telefonia celular o negócio é mais complicado. Se aprovada a fusão, o grupo Oi/TIM tomaria o controle do setor, com 43% de participação de mercado e 124 milhões de clientes. Hoje, a TIM é a segunda maior empresa do Brasil neste segmento, com mais de 73 milhões de clientes (26% de participação); a Oi é quarta maior, possuindo 51 milhões de usuários (17% de participação). A Vivo é a maior empresa móvel daqui. São 81 milhões de chips em funcionamento, representando 29% de fatia de mercado. (Veja mais dados do mercado concorrencial aqui). É muito improvável que o grupo Telefônica Vivo aceite perder a liderança do mercado brasileiro detida por ela há anos, e procure meios de parar a operação, talvez alegando principalmente concentração exagerada de mercado pelas duas empresas.
A Oi ultimamente está envolvida em uma série de transações comerciais, nunca para. Abriu espaço para a Portugal Telecom (ex-proprietária da Vivo) entrar no seu capital; depois vende a participação da PT; pensa em vender ainda algumas operações pequenas que possui na África, como na Angola e Timor Leste; e agora recebe proposta do outro lado do mundo para estudar um processo de fusão com uma de suas principais concorrentes no mercado brasileiro de telefonia.

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