Mobile payment da Claro e Bradesco começará com pré-pago

A operadora Claro e o Banco Bradesco anunciaram o lançamento dum projeto para sistema de pagamento móvel, que se dará em dois passos: primeiramente, em um serviço pré-pago, chamado de moedeiro e, posteriormente, com sistema sem contato, via Near Field Communication (NFC). A apresentação ocorreu em evento realizado para jornalistas em São Paulo.

A iniciativa é o primeiro fruto da joint-venture firmada pelas duas empresas há cerca de um ano, a MPO (Mobile Payment Operator).
O moedeiro deve chegar no fim do primeiro trimestre de 2013 e funcionará como um apêndice do que hoje é o sistema bancário. O usuário que não tiver conta-corrente regular poderá utilizar seu aparelho como se fosse sua conta bancária, uma carteira virtual. Desta forma, uma empregada doméstica que recebe seu salário em dinheiro, por exemplo, quando for efetuar a recarga de seu aparelho Claro, já pode depositar o dinheiro em um ambiente virtual do Bradesco. Ele não funciona como uma conta, seja poupança ou corrente, mas como uma carteira digital. Não há tarifas e os pagamentos em estabelecimentos comerciais serão, inicialmente, feitos via SMS. Caso queira, o usuário poderá agregar um cartão, que exercerá a mesma função que o seu celular. Mas isso não é uma obrigatoriedade.
“Existem mais de 43 milhões de pessoas que não têm acesso a bancos no Brasil. Imagine o grande potencial para apoio à comunidade, em termos de inclusão social”, afirmou o presidente da Claro no Brasil, Carlos Zenteno. O sistema de pagamento móvel é muito comuns em países da África, na qual a a população também enfrenta forte exclusão bancária. Além da iniciativa brasileira, a Claro já possui oferta do tipo no México, em lançamento ocorrido no início deste ano. “No começo as pessoas não entenderam como funcionava, mas foi um aculturamento”, explicou Zenteno.
Vale lembrar, ainda, que em países de baixa renda, como é o caso do Brasil, o primeiro contato com a internet de uma pessoa costuma se dar por um aparelho celular, exatamente por conta de seu preço mais acessível em relação a um computador convencional. A teledensidade no País é de 132%.
Como mais de 80% dos pagamentos de até R$ 20 feitos no Brasil ocorrem via papel moeda, a ideia é tirar dinheiro de circulação. Outra proposta é permitir a transferência de valores entre pessoas, de forma que, por exemplo, um pai que trabalhe em São Paulo e tenha um filho no interior do Rio de Janeiro consiga enviar parte de seu pagamento sem a necessidade de locomoção física. Para isso, é preciso que ambos possuam uma conta virtual e que tenham se cadastrado no moedeiro. Na visão das empresas, esse será um dos usos mais populares do moedeiro.
“As pessoas de baixa renda são heavy users de smartphone. Elas normalmente têm chips em mais de uma operadora e sabem muito bem quanto custa cada minuto de ligação em diferentes operadoras”, adicionou Marcelo Noronha, diretor executivo do Bradesco. A ideia é, de forma geral, conquistar o usuário que já está acostumado com esse tecnologia.
Haverá também a possibilidade de intercâmbio entre contas correntes regulares e as contas virtuais.

O próximo passo é permitir pagamento via NFC. Este produto deve demorar um pouco mais para chegar ao mercado, porque depende da popularização dessa tecnologia no Brasil. Neste caso, a oferta será direcionada a consumidores de alta renda – que têm a capacidade de pagar por aparelhos com o sistema. As companhias preveem que esse movimento ocorrerá a partir de meados de 2013.

Além disso, ficou claro que a ideia é ampliar, dentro da joint venture MPO, o sistema de pagamento móveis. Não foram dadas datas ou perspectivas concretas, mas a expectativa é interoperabilidade total entre diversos bancos e operadoras.

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