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Brasileiro cria orelhão ecológico

Quem via Jecefran Martins com um de telefone de orelhão sem fio no colo, conversando na porta de um hotel no interior do Maranhão, em 2010, o chamava de maluco. Ao percorrer o interior do estado como técnico em fibra ótica de uma operadora de telefonia, ele era obrigado a dar baixa no serviço diariamente às 17h. Mas, muitas vezes não conseguia encontrar um telefone público da própria operadora funcionando para falar com a chefia.

Criativo desde criança, decidiu então juntar sucatas de orelhão, restos de carrinho de controle remoto, telefone sem fio e placas de calculadora solar. Nascia ali o “orelhão ecológico”, telefone sem fio abastecido com a energia do sol que, junto a outras criações sustentáveis, é apresentado no Amazontech 2012, maior evento de sustentabilidade da região.

Jocefran foi parar no Amazontech com o apoio do Sebrae, responsável pelo evento, que acontece no Complexo Meio do Mundo, na capital do Amapá, até amanhã (17). Lá, também apresenta luminosos de táxi sem fio e abastecidos com energia solar ou eólica; uma tomada que não dá choque, mesmo em contato com material metálico; e um letreiro luminoso alimentado pela luz do sol.

“Minhas ideias são todas renováveis, sustentáveis e eficientes”, diz o inventor de 36 anos, com a paciência de quem não se cansa de explicar a cada visitante suas criações, que mais parecem sair da cabeça do Professor Pardal, famoso personagem dos quadrinhos.

O orelhão ecológico foi testado em municípios isolados do Maranhão, onde existe luz elétrica, mas a comunicação telefônica ainda é precária. E funcionou com perfeição. O aparelho não precisa de cabos nem bateria e faz chamadas ao custo de uma ligação convencional. Basta meia hora exposto ao sol para que fique abastecido por até cinco horas.

Outra vantagem é que o orelhão serve também como captador de sinal de telefonia celular. “É só aproximar o aparelinho do orelhão que a placa transmissora de GSM capta o sinal à distância de até 30 km de uma antena de telefonia móvel”, explica Jocefran. No estande da tomada anti-choque, ele também mostrou a eficácia do dispositivo, encorajando os visitantes a colocar o dedo na tomada. “Com o meu invento, o menino curioso, a pessoa desastrada ou o velho que voltou a ser criança não tem chance de levar choque”, brincou.

Todas as invenções de Jocefran Martins já estão patenteadas à espera apenas de um investidor capaz de financiá-las. Depois que a empresa de telefonia descobriu seu invento (e ele se recusou a contar o segredo) acabou sendo demitido. Desempregado, sonha em cursar Engenharia Florestal. “Basta aparecer um empresário interessado em investir nas minhas ideias que eu estudo para aperfeiçoá-las. Afinal, cabeça não foi feita só para separar orelha”.



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