sexta-feira, 16 de junho de 2017

Grandes empresas se unem em protesto sobre direitos na internet

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Vários sites norte-americanos ameaçam diminuir a velocidade de conexão para mostrar o que pode acontecer com uma internet sem regulamentação.

Ao menos 100 organizações dos Estados Unidos devem se mobilizar e até reduzir a velocidade de acesso de seus sites em protesto para “salvar a neutralidade da rede”. O “Internet-Wide Day of Actionacontecerá em 12 de julho e pretende evitar que a Federal Communications Commission (FCC), empresa que regula o setor de telecomunicações nos EUA, reduza os direitos de liberdade de expressão e inovação na internet.

Há anos o assunto vem sendo polêmico nos Estados Unidos. Somente em 2015, quando a medida já havia sido recusada algumas vezes, a FCC passou a ter autoridade na regulamentação do acesso à internet através do Título II, quando a banda larga no país foi reclassificada: de “serviço de informação” se transformou em “serviço de telecomunicações”. Essa medida, no entanto, não agradou as operadoras, que deixaram de ter o “controle” das regras e velocidades da internet.

Quem também não apoiou a medida já naquela época foi Ajit Pai, hoje presidente da FCC. Acontece que, no mês passado, ele decidiu suspender de vez a definição de 2015 sobre neutralidade da rede, o que causou a revolta de várias organizações e consumidores. Para eles, se não houver regras, os provedores de internet podem definir a velocidade e acesso de acordo com seus próprios interesses – censurando, acelerando e bloqueando da forma que quiserem, inclusive com aplicação de taxas extras.

O protesto surge neste contexto, já que, até 16 de agosto, a FCC disse que aceitará comentários sobre a proposta, tomando uma decisão final somente após a análise dessas opiniões. A resposta? Mais de 30 mil pessoas e sites inscritos em uma ação on-line – desde portais de jogos, música, pagamentos, conteúdo adulto, aos grandes sites de tecnologia e entretenimento.

A ação está sendo organizada pela Fight For The Future, uma organização criada para proteger e expandir o acesso à internet. Segundo eles, empresas como Amazon, Netflix, Mozilla, Reddit, PornHub e Vimeo já estão confirmadas na ação de 12 de julho.

Veja o que dizem os organizadores na página do protesto:

“A internet prosperou precisamente por conta da neutralidade da rede. É o que a torna tão vibrante e inovadora - um lugar para a criatividade, a livre expressão e o intercâmbio de ideias. Sem ela, a internet vai se parecer com a TV a cabo, onde o conteúdo que você vê é o que o seu fornecedor coloca na sua frente”.

A ideia é que, no próximo dia 12, todos os apoiadores enviem mensagens em massa à FCC e informem e auxiliem seus usuários a fazerem o mesmo. Mas também será possível que, conforme aconteceu no episódio de apagão da internet em protesto contra o SOPA em 2012, este inclua a lentidão na conexão de todos os sites participantes. Dessa forma, haveria uma espécie de “prévia” do que pode acontecer com a internet se as regulamentações forem deixadas de lado.

Veja outras declarações:

Evan Greer, diretor de campanha da Fight for the Future:

"A internet deu mais voz às pessoas do que nunca, e não vamos deixar a FCC tirar esse poder de nós. A mobilização on-line em massa nos proporcionou as fortes proteções de neutralidade da rede que temos agora, e pretendemos lutar com unhas e dentes para defendê-las (...) A neutralidade da rede não é uma questão partidária e os usuários da internet não tolerarão esses ataques aos nossos direitos básicos”.

Michael Cheah, Conselheiro-Geral da Vimeo:

“A neutralidade da rede possibilitou a Vimeo, juntamente com inúmeras outras startups, inovar e prosperar. A reversão proposta pela FCC das regras abertas da internet de 2015 ameaça impedir essa inovação e permitir que empresas determinem vencedores e perdedores”.

Denelle Dixon, Diretora Jurídica e Empresarial da Mozilla:

"A neutralidade da rede é vital para uma internet saudável: protege a liberdade de expressão, a concorrência e a inovação on-line. Também é algo que a maioria dos americanos apoia - 76%, de acordo com uma recente pesquisa da Mozilla-Ipsos".

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