A chegada do 6G pode acrescentar US$ 1,24 trilhão (cerca de R$ 6,76 trilhões) à economia global até 2040, segundo um novo relatório da GSMA, entidade que reúne operadoras móveis de todo o mundo. A projeção, no entanto, vem acompanhada de um alerta: sem espectro suficiente liberado a tempo, 42% desse potencial, o equivalente a US$ 520 bilhões (R$ 2,83 trilhões), pode simplesmente não se concretizar.
Segundo o estudo, o ganho virá da combinação entre inteligência artificial, automação industrial, sensoriamento integrado e conectividade ampla, recursos que as redes atuais não conseguem entregar por completo. Por isso, a associação cobra que governos e reguladores decidam agora sobre as faixas de frequência, de olho na Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027, a WRC-27.
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O ESPECTRO VIROU O GARGALO
Para a GSMA, o tamanho do impacto econômico da nova geração dependerá menos da tecnologia em si e mais da disponibilidade de frequências. A entidade lembra ainda que as perdas estimadas se somariam a prejuízos sobre as redes móveis já existentes, que compartilham os mesmos recursos de espectro. Na avaliação da associação, quem formula políticas públicas precisa agir já para não travar o crescimento econômico futuro.
AS TRÊS COBRANÇAS DA GSMA
O relatório funciona, na prática, como uma carta de recomendações a governos e reguladores. As propostas giram em torno de quantidade de espectro, escolha de faixas específicas e previsibilidade para as operadoras, que precisam planejar investimentos com anos de antecedência. Veja abaixo os três pedidos centrais feitos pela entidade para que o 6G consiga atingir todo o potencial projetado.
- Pelo menos 2 GHz em banda média até 2030: incluindo a faixa superior de 6 GHz, com capacidade extra nas porções superiores de 3,5 GHz e nas faixas de 4,5 GHz e 7 GHz, além de novas liberações conforme a demanda crescer.
- Faixa de 600 MHz para o 6G: reforço da cobertura rural e em ambientes internos, com a faixa de 500 MHz avaliada onde fizer sentido.
- Roteiros nacionais de espectro: cronogramas claros e no prazo, para dar às operadoras segurança para planejar investimentos e implantar redes antes da demanda.
O diretor de regulação da GSMA, John Giusti, reforçou o recado ao comentar o estudo. “Mais de US$ 500 bilhões do valor econômico vão depender das decisões sobre espectro que os governos tomarem hoje”, afirmou. Para ele, o espectro deixou de ser só uma exigência técnica das redes móveis. “É uma base para o crescimento econômico futuro”, completou o executivo.
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ONDE O 6G DEVE GERAR VALOR
Caso o espectro necessário seja garantido, o estudo projeta que o 6G pode elevar o PIB global em 0,7% em 2040. A conta considera apenas o valor adicional, ou seja, aquilo que não seria gerado se o 5G continuasse como a tecnologia móvel mais avançada. Entre os setores, a indústria de transformação e os serviços financeiros aparecem entre os que mais devem se beneficiar da nova geração de redes.
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A GSMA aponta cinco frentes de geração de valor: conectividade para sistemas futuros de IA, automação industrial e robótica, banda larga móvel aprimorada com acesso fixo sem fio (FWA), sensoriamento integrado à comunicação e redes não terrestres para levar sinal a áreas desatendidas. Diferente das gerações anteriores, o 6G deve nascer nativo em IA, capaz de perceber o ambiente e integrar conexões terrestres e via satélite.
Na divisão geográfica, a Grande China lidera a estimativa de ganhos adicionais até 2040, seguida pela América do Norte e pela Europa. Somadas, as três regiões concentram mais de US$ 900 bilhões (R$ 4,9 trilhões) do valor total projetado pela GSMA, o que mostra o peso desses mercados na corrida pela próxima geração da telefonia móvel. Confira os números por região na tabela a seguir.
| Região | Valor adicional até 2040 |
|---|---|
| Grande China | US$ 390 bilhões (R$ 2,13 trilhões) |
| América do Norte | US$ 290 bilhões (R$ 1,58 trilhão) |
| Europa | US$ 225 bilhões (R$ 1,23 trilhão) |
PRIMEIROS TESTES JÁ ESTÃO EM CAMPO
Enquanto o debate regulatório avança, a tecnologia já começa a sair do laboratório. A Verizon e a Ericsson anunciaram recentemente o que descrevem como a primeira chamada de campo em 6G pré-padrão na faixa de 7 GHz, feita a partir de um site comercial da operadora americana. As empresas frisaram que se trata de uma prova de conceito, e não do lançamento de um serviço comercial de 6G.
O objetivo foi testar tecnologias ainda em desenvolvimento antes da finalização dos padrões oficiais. Além da chamada ao ar livre, foi feito um teste de penetração em ambiente interno para avaliar cobertura, vazão, latência e estabilidade. As medições incluíram cenários com e sem linha de visada, vegetação, obstáculos e a passagem do sinal por diferentes tipos de vidro e materiais de construção.












