A T-Mobile, uma das maiores operadoras dos Estados Unidos, afirmou que pretende ser a primeira empresa do país a colocar uma rede 6G em funcionamento. A promessa foi feita durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026, realizada nesta semana com analistas e investidores. A companhia não definiu uma data de lançamento, mas sinalizou que trabalha com o mesmo horizonte esperado pelo setor, que projeta as primeiras redes da nova geração para 2030.
A aposta está ligada ao avanço da chamada IA física, que reúne robôs, drones e veículos conectados. No mesmo encontro, o CEO Srini Gopalan voltou a descartar um acordo de operadora móvel virtual (MVNO) com a SpaceX, dona da Starlink, tanto para clientes comuns quanto para aplicações de IA. Para ele, o satélite deve seguir apenas como serviço complementar à rede terrestre.
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ANTENAS QUE FUNCIONAM COMO RADAR
Quem detalhou a visão técnica foi John Saw, diretor de tecnologia da T-Mobile. Segundo o executivo, o grande diferencial da próxima geração será o sensoriamento e comunicação integrados, conhecido pela sigla ISAC. Na prática, estações rádio base e antenas passarão a operar também como radares, abrindo espaço para usos de sensoriamento remoto. “A T-Mobile será a primeira com 6G neste país”, afirmou.
A mesma tecnologia está no radar da concorrência, já que a Verizon pediu aval para testar tecnologias de 6G em uma nova faixa com foco no sensoriamento de objetos. Saw também projeta uma mudança no perfil do tráfego móvel: o download seguirá predominante, mas o upload ganhará peso com vestíveis com IA, agentes inteligentes, robôs humanoides, drones de entrega, veículos e máquinas industriais.
Para dar conta dessa demanda, a operadora conta com os próximos leilões de espectro nos Estados Unidos, que vão ofertar faixas na banda C superior e em 2,7 GHz. De acordo com o CTO, essas frequências devem reforçar a capacidade da rede para o 6G e, ao mesmo tempo, ampliar a largura de banda disponível para o envio de dados, ponto considerado crítico para as aplicações que a empresa enxerga no horizonte.

ROBÔS E DRONES ENTRAM NA ESTRATÉGIA
A T-Mobile já testa essa visão com parceiros. Entre os projetos citados estão os robôs humanoides da Figure AI, os robôs de entrega da Serve Robotics e câmeras conectadas ao 5G instaladas na cidade de San Jose, na Califórnia. Com a Amazon Web Services (AWS), a operadora montou as primeiras instâncias do que chama de “borda cinética”, estrutura que une a rede 5G Advanced da empresa à nuvem e aos serviços de IA da AWS.
Segundo Gopalan, os projetos mostram que a operadora quer ir além de simplesmente conectar robôs por eSIM e passar a testar como a própria rede pode entregar inteligência às máquinas. O executivo, porém, reconheceu que o tema ainda está em estágio inicial e que não há clareza sobre as receitas e os custos envolvidos para as teles. Mesmo assim, ele vê como certo um cenário com milhões de robôs e drones conectados em 2035.
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SPACEX SEGUE FORA DOS PLANOS
A recusa à SpaceX chama atenção porque as duas empresas já são parceiras e disputam o mesmo futuro. A companhia de Elon Musk também está construindo um negócio de conectividade apoiado na demanda de robôs, carros e agentes de IA. Em uma MVNO, uma empresa revende serviços móveis usando a infraestrutura de outra operadora, modelo que Gopalan não pretende abrir para a Starlink nem para outros operadores de satélite.
“A resposta sobre a MVNO é que não vejo espaço para uma MVNO com a SpaceX, nem do lado do consumidor nem do lado da IA física e de borda”, declarou o CEO. Ele ressaltou que a T-Mobile enxerga o satélite como produto complementar e que qualquer relação com a SpaceX, seja como cliente ou como fornecedora, será tratada como um acordo puramente comercial entre as duas empresas.
COMO ANDA O 6G NO BRASIL
Por aqui, a nova geração também mira o fim da década, mas a corrida ainda está na fase de preparação. A Vivo, por exemplo, avalia que ainda é cedo para um plano comercial do 6G, já que padrões técnicos e frequências seguem em discussão. A empresa diz que os investimentos atuais em fibra, antenas e núcleo de rede para o 5G servirão de base para a próxima geração.
Do lado regulatório, a Anatel começou a monitorar continuamente o espectro das redes móveis, com testes iniciados em Santa Catarina para mapear faixas pouco usadas e liberá-las para conexões mais modernas. Em paralelo, a agência colocou em consulta pública a proposta de leilão da parte superior da faixa de 6 GHz, apontada como a principal candidata a abrigar o 6G no país. Os principais pontos são:
- Espectro: 700 MHz contíguos para serviços móveis, enquanto os 500 MHz inferiores seguem livres para o Wi-Fi
- Calendário: leilão previsto para 2028, com primeiras redes comerciais esperadas por volta de 2030
- Lotes: 14 no total, sendo dois nacionais e 12 regionais, com licenças de 20 anos
- Contrapartidas: modelo não arrecadatório, com investimento em data centers nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
- Polêmica: TIM e Vivo defendem adiar a disputa para depois de 2028












