Dá para usar a Starlink direto no celular dentro de um avião?

Com a chegada oficial do serviço ao mercado nacional, essa dúvida tem surgido na mente de muitas pessoas.

Goodanderson Gomes
5 min de leitura

A internet da Starlink está cada vez mais na “boca do povo”. Afinal, a empresa, que antes fornecia apenas internet banda larga, agora entrou oficialmente nas redes móveis brasileiras com a parceria fechada com junto a Vivo.

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O Vivo Satélite, como é chamado o serviço, usa a internet espacial como salvaguarda para quando o sinal da operadora falhar, em áreas remotas.

Mais que isso, a Starlink já demonstrou forte interesse de ter ela própria uma operadora ou fornecer sua internet diretamente a smartphones, sem intermediários.

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Diante dessa nova realidade, cresce na internet uma dúvida pertinente: dá para usar a internet da Starlink direto no celular durante um voo, dentro de um avião? A resposta é não, mas nós te explicamos o porquê a seguir.

O que impede o uso da internet D2D durante viagens aéreas?

Para entender por que a tecnologia direct-to-cell não pega no celular a 10 mil metros de altura (altitude média de voos comerciais), é preciso olhar para a física da aviação.

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Por mais moderna que seja a constelação de satélites do Elon Musk, existem barreiras técnicas e regulatórias praticamente intransponíveis.

Confira abaixo os quatro principais motivos apontados por especialistas da indústria e órgãos reguladores:

  • Blindagem da fuselagem: a estrutura de um avião comercial, feita de alumínio espesso ou compostos de fibra de carbono, funciona na prática como uma verdadeira Gaiola de Faraday. O sinal de rádio LTE simplesmente bate na lataria e não consegue entrar na cabine.
  • Potência limitada do smartphone: a conexão de satélite precisa ser de mão dupla. O problema é que a bateria e as antenas internas do celular foram projetadas para alcançar torres em solo a no máximo 15 km de distância. Emitir sinal de volta para um satélite a 500 km de altitude, de dentro de uma blindagem metálica, é fisicamente impossível para o aparelho.
  • Velocidade extrema e Efeito Doppler: o avião voa a cerca de 900 km/h, enquanto os satélites cruzam o espaço a 27.000 km/h. Essa combinação gera um desvio de frequência severo que os modens de celulares comuns não conseguem corrigir em tempo real.
  • Restrições da FAA e Anatel: as agências de aviação civil exigem o uso do Modo Avião durante todo o voo. Tentar conectar o celular direto ao satélite faria o aparelho disparar sua potência máxima de transmissão, o que viola as normas de segurança da aviação por risco de interferência nos instrumentos de bordo.

Além disso, na prática, as pequenas janelas de acrílico da cabine não oferecem a visão limpa do céu necessária para manter a troca constante de dados entre o seu smartphone e o espaço.

Então, sim, é fisicamente impossível acessar a internet via satélite, seja da Starlink ou de qualquer outra empresa, por meio dos dados móveis do celular. Mas calma, ainda não é fim!

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Pois é, até dá para usar a Starlink dentro de um avião, mas apenas por meio da banda larga convencional, via Wi-Fi.

Em resumo, uma antena precisa ser instalada na fuselagem do avião, do lado de fora, para captar o sinal do espaço. Essa antena é conectada a roteadores na parte interna da aeronave que, por sua vez, transmitem o sinal aos aparelhos dos passageiros.

Diferente das pequenas antenas dos celulares, que sofrem com o Efeito Doppler e outras variáveis, antenas de internet especializadas são construídas exatamente para vencer essas dificuldades e captar o sinal estabilizado.

Inclusive, essa lógica já foi adotada por diversas companhias aéreas e tem ganhado adesão rapidamente, sendo correto afirmar que muito em breve todas as empresas de aviação comercial terão Wi-Fi de internet via satélite dentro de suas aeronaves, seja da Starlink ou de outra empresa do ramo.

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