Uma eventual venda da TIM Brasil pode movimentar cerca de R$ 40 bilhões, valor que colocaria a negociação entre as maiores fusões e aquisições já realizadas no país. Na leitura de bancos de investimento que acompanham o caso, o negócio só seria viável com a união de um investidor estratégico do setor e um fundo financeiro, que dividiriam entre si o peso do desembolso.
A avaliação foi publicada pela EXAME Insight e ganhou corpo nesta terça-feira (3), quando veio a público a movimentação dos bancos em torno da operadora. O pano de fundo é a troca de comando na matriz italiana, que vê a subsidiária brasileira fora do centro de sua estratégia. Apesar das conversas, a TIM ainda não foi oficialmente colocada à venda.
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POR QUE O CHEQUE EXIGE DOIS COMPRADORES
Para os interlocutores do mercado, desembolsar sozinho uma quantia dessa magnitude seria um esforço “muito grande” para qualquer grupo. Por isso, a saída mais provável seria um consórcio em que um sócio com experiência em telecomunicações cuidaria da operação, enquanto um investidor financeiro ajudaria a bancar o aporte. Os próprios bancos ressaltam que os números são preliminares, já que não existe transação estruturada nem preço negociado.

COMO SE CHEGA AOS R$ 40 BILHÕES
A cifra estimada parte do valor atual da operadora e soma um adicional que costuma ser pago em aquisições desse porte. Como a TIM Brasil tem peso considerável para a matriz italiana, qualquer decisão sobre seu futuro tende a ser tomada com cautela e mexeria diretamente nos resultados do grupo. Confira abaixo os principais números que embasam o cálculo feito pelos bancos de investimento consultados.
- Valor da empresa (enterprise value): R$ 31,8 bilhões
- Fatia da Telecom Italia na TIM Brasil: cerca de 68%
- Peso no grupo italiano: quase metade do resultado operacional
- Eventual prêmio pela transação: eleva a conta para cerca de R$ 40 bilhões
CONCENTRAÇÃO AFASTA VIVO E CLARO
O perfil de quem poderia comprar também pesa nas projeções. Uma aquisição por Vivo ou Claro esbarraria na concentração do setor, porque a incorporação da TIM a qualquer uma das rivais criaria uma empresa com mais da metade dos acessos móveis do Brasil. Além disso, o Cade não teria intenção de aprovar a venda para nenhuma das duas concorrentes. Por isso, o mercado aposta em uma solução que mantenha a operadora como competidora independente.
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O QUE DIZ A POSTE ITALIANE
A Poste Italiane chegou a cerca de 87% do capital da Telecom Italia após uma oferta pública e compras adicionais de ações, tornando-se controladora indireta da TIM no Brasil. Na semana passada, o presidente-executivo Matteo Del Fante afirmou que a operação brasileira não é estratégica, embora seja lucrativa e geradora de caixa. Ele negou que a empresa esteja à venda e disse que ela será usada de maneira “tática” nos próximos meses.
A prioridade dos novos controladores é expandir a atuação em serviços digitais no mercado italiano. Um sinal mais concreto sobre o destino da TIM Brasil deve surgir no primeiro trimestre de 2027, quando a Poste pretende apresentar o plano de negócios do grupo combinado. Até lá, a venda segue como uma das hipóteses analisadas pelos bancos, e a palavra final continua nas mãos dos italianos.












