Reprodução/Gemini

Adeus, chip físico? Novo eSIM vai mudar a IoT celular no Brasil

Cristino Melo
7 min de leitura

Um novo padrão de eSIM pensado para máquinas, e não para o celular de bolso, deve estar presente em 53% dos novos dispositivos de Internet das Coisas (IoT) com conexão celular lançados no mundo em 2035. A projeção é da consultoria Transforma Insights e se refere ao SGP.32, especificação criada pela GSMA, entidade que reúne operadoras e a indústria móvel. Em números absolutos, são cerca de 597 milhões de unidades de um total estimado em 1,13 bilhão.

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Na prática, o padrão permite instalar, ativar ou trocar à distância os perfis digitais com as credenciais de acesso à rede de uma operadora, sem mexer no chip, algo essencial para aparelhos sem tela nem usuário. A novidade interessa diretamente ao Brasil, onde as conexões entre máquinas crescem em ritmo acelerado, e já tem oferta local com a parceria entre a brasileira Datatem e a Thales.

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M2M EM ALTA NO BRASIL

O ritmo dessa expansão ajuda a explicar o interesse. Segundo dados da Anatel, o país encerrou julho de 2026 com 58,83 milhões de acessos destinados à comunicação máquina a máquina (M2M) e a terminais de pagamento. Só naquele mês, entraram 859 mil novas linhas nessa categoria, volume que respondeu por mais de 60% de todo o crescimento da telefonia móvel brasileira no período.

Por trás desses números estão aplicações que fazem parte do dia a dia, ainda que nem sempre sejam percebidas. São essas linhas que mantêm funcionando medidores de água, energia e gás, maquininhas de cartão, rastreadores de veículos e cargas, sistemas de segurança eletrônica, linhas de automação industrial, soluções de agricultura de precisão e equipamentos de gestão da infraestrutura urbana.

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Divulgação/Datatem

O QUE MUDA EM RELAÇÃO AO ESIM DO CELULAR

Entenda como o SGP.32 se diferencia das especificações de eSIM anteriores da GSMA:

  • SGP.22: usado em celulares, parte do princípio de que uma pessoa vai ativar o plano, normalmente lendo um QR Code e confirmando comandos na tela;
  • SGP.02: voltado a máquinas, já permitia gestão remota, mas exigia integrações complexas entre os participantes da operação;
  • SGP.32: simplifica a gestão remota e foi desenhado para medidores, sensores, câmeras e rastreadores que funcionam sem tela, câmera ou usuário.

Para Evandro Gonçalves, sócio fundador e CEO da Datatem, empresa que administra mais de 10 milhões de linhas e atende mais de 1,5 mil clientes no país, o padrão muda a lógica da conectividade, que deixa de ser fixada na fábrica ou na instalação. “Os fabricantes poderão definir a conectividade mais perto da ativação, enquanto as empresas terão condições de ajustar os perfis remotamente à medida que os projetos evoluírem”, diz.

FABRICANTES GANHAM NOVOS NEGÓCIOS

O executivo avalia que o modelo se encaixa especialmente bem nas dimensões territoriais do Brasil. Outro efeito é a integração da conectividade aos sistemas internos via APIs, interfaces que trocam dados e comandos automaticamente entre plataformas. Assim, empresas que hoje vivem apenas da venda de hardware poderão oferecer serviços recorrentes de conectividade, monitoramento, manutenção e suporte ao longo da vida útil do produto.

A forma de contratar também deve mudar. Segundo o CEO, um medidor pode ficar anos sem qualquer alteração de perfil, enquanto rastreadores e câmeras em veículos tendem a exigir ajustes frequentes. “São usos com ciclos e necessidades diferentes, que não devem ser atendidos pelo mesmo modelo comercial”, afirma. A expectativa é de contratos mais flexíveis, com cobrança por operação em alguns projetos e serviços recorrentes em outros.

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DATATEM E THALES LEVAM PADRÃO AO PAÍS

No Brasil, a Datatem fechou parceria com a Thales para oferecer uma solução completa de eSIM e eIM baseada no SGP.32. O eIM (eSIM IoT Remote Manager) é a peça do padrão encarregada da gestão remota dos chips. A oferta combina os eSIMs fabricados pela Thales, os perfis de conectividade e a plataforma de orquestração da Datatem, por onde as empresas poderão monitorar aparelhos, administrar perfis e integrar tudo aos seus sistemas.

Os chips da parceria chegarão ao mercado em dois formatos, pensados para diferentes estágios do ciclo de vida dos equipamentos:

FormatoComo funcionaIndicado para
MFF2Soldado à placa durante a fabricaçãoNovos produtos
Halfcard triplo corte (4FF, 3FF e 2FF)Removível, encaixado como um chip tradicionalEquipamentos compatíveis já em operação

A combinação permite que a tecnologia equipe tanto produtos novos quanto aparelhos compatíveis já em uso, sem exigir a troca imediata de todo o parque instalado. A segurança também foi auditada: em 2025, a solução da Thales para o SGP.32 recebeu da GSMA a certificação eSA (eSIM Security Accreditation), que avalia hardware, firmware, sistema operacional e bibliotecas criptográficas do chip.

Segundo Evandro, o país tem um dos maiores parques de IoT celular do mundo, e grande parte dele ainda depende de SIM físico. “O SGP.32 chega no momento certo: permite modernizar o parque instalado sem descartar hardware, com uma migração gradual e planejada”, diz. A meta da Datatem é se consolidar como referência em orquestração de eSIM IoT até o fim de 2027, com a adoção puxada por utilities, meios de pagamento e frotas.

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