A Vivo está em negociações para comprar a Vero, provedora de banda larga fixa com 1,3 milhão de clientes espalhados por 425 cidades de sete estados brasileiros. A Telefônica Brasil, dona da operadora, já contratou assessores para conduzir as conversas, que seguem em andamento, mas ainda não resultaram em um acordo vinculante entre as partes envolvidas.
A informação foi publicada pela Coluna do Broadcast, do Estadão, com base em fontes que acompanham as tratativas. Para a Vivo, a aquisição serviria para reforçar a presença nas regiões Sul e Sudeste, onde a briga por assinantes é intensa. Já para a Vero, a venda pode aliviar uma dívida líquida de R$ 3 bilhões e abrir uma porta de saída aos fundos que controlam a empresa.
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O QUE A VIVO GANHA COM O NEGÓCIO
Do ponto de vista estratégico, a Vero, que recentemente ampliou o portfólio para empresas com nuvem, linhas móveis e câmeras com IA, reforçaria a base da Vivo em mercados onde a operadora disputa clientes palmo a palmo com a Claro e com provedores regionais robustos, como a Unifique, forte em Santa Catarina e no Paraná. Fontes ouvidas pela coluna avaliam que a compra seria relevante, mas não mudaria a estrutura da companhia, sendo uma oportunidade diante das dificuldades da Vero.
A Vivo chega à mesa em posição confortável. A operadora, que assumiu o controle total da FiBrasil neste ano, soma 105 milhões de clientes de internet móvel e 8,2 milhões de acessos de banda larga por fibra óptica, segmento em que está entre as poucas empresas que seguem ampliando a base de assinantes mesmo com a concorrência acirrada. A alavancagem de apenas 1 vez indica caixa saudável para uma nova aquisição.
A VERO EM NÚMEROS
A banda larga fixa é o principal negócio da Vero, mas essa base vem encolhendo, mesmo com a provedora crescendo em clientes de telefonia móvel. Só neste ano, foram 64 mil assinantes de internet fixa a menos. Além da concorrência pesada, a empresa cortou inadimplentes e endureceu a análise de crédito para novas vendas, o que freou a entrada de usuários. Veja os principais números da operação:
- Clientes: 1,3 milhão
- Cobertura: 425 cidades no RS, SC, PR, SP, MG, MS e GO
- Assinantes perdidos neste ano: 64 mil
- Dívida líquida: R$ 3 bilhões
- Alavancagem: 3,3 vezes (dívida líquida sobre Ebitda anualizado)
- Controle: Vinci Compass e Warburg Pincus, com 60% somados
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DÍVIDA PRESSIONA O CAIXA DA PROVEDORA
O endividamento é outro ponto sensível. A maior parte da dívida da Vero está concentrada em debêntures com vencimentos crescentes a partir do próximo ano, o que deve apertar o fluxo de caixa da empresa. Em outubro, a agência de classificação de risco S&P revisou a perspectiva do rating da provedora de estável para negativa, citando a perda de clientes, a queda de receita e a dificuldade de cumprir metas de alavancagem.
Essas metas, conhecidas como covenants, foram assumidas junto aos debenturistas e estabelecem limites para o endividamento da empresa. Em relatório, a S&P detalhou o cenário que levou à revisão: “A combinação entre o enfraquecimento operacional e as altas taxas de juros também reduziu a folga para cumprimento dos covenants de alavancagem”, escreveu a agência.
FUNDOS BUSCAM SAÍDA DO INVESTIMENTO
A Vero foi fundada em 2019 com investimento da Vinci Compass e, desde o início, foi pensada para abrir capital na bolsa de valores. O plano, porém, esbarrou na piora do mercado, que fechou as janelas para novas ofertas de ações nos últimos anos. Até o momento, não há qualquer sinal de que essa porta volte a se abrir, o que deixa os investidores sem a rota de saída que haviam planejado.
A solução intermediária veio em 2023, com a fusão com a Americanet, que tinha a Warburg Pincus como investidora. Hoje, Vinci e Warburg Pincus somam 60% de participação e dividem o controle da companhia, enquanto o restante está nas mãos de sócios minoritários. A venda para a Vivo daria às duas gestoras de private equity a chance de encerrar o ciclo do investimento feito anos atrás.
DECISÃO DEPENDE DA TELEFÓNICA
Mesmo com o interesse da subsidiária brasileira, o negócio só avança com o aval do Grupo Telefónica, controlador da Vivo com sede na Espanha. A multinacional tem o governo espanhol entre seus acionistas, e o país terá eleições em novembro. Em 2025, a matriz lançou um plano para reduzir a dívida e ganhar eficiência global, com previsão de cortar custos na ordem de 3 bilhões de euros até 2030.
Esse contexto coloca em dúvida o apetite da controladora por novas aquisições fora da Europa. Uma das fontes ouvidas pela coluna resumiu o dilema da seguinte forma: “Os acionistas vão querer aumentar a exposição do negócio no Brasil, ou vão preservar o caixa para gerar dividendos?”. A resposta a essa pergunta deve ser decisiva para o rumo das negociações.
CONSOLIDAÇÃO GANHA FORÇA NA BANDA LARGA
A possível compra da Vero reforça um movimento de consolidação no mercado brasileiro de internet fixa. Com o setor saturado, operadoras de médio e grande porte têm recorrido a fusões e aquisições para ganhar escala, aliviar dívidas e capturar sinergias. Só neste ano, a Claro comprou a Desktop, a Brasil Tecpar está adquirindo a Ligga, e a Giga Mais e a Sky discutem uma combinação de negócios.












