O banco de investimentos Citi divulgou nesta semana uma nova lista de recomendações para ações do setor de infraestrutura de telecomunicações nos Estados Unidos, avaliando que uma possível expansão da rede Starlink pode beneficiar as empresas de torres de transmissão. A instituição financeira aponta que uma eventual construção de rede própria pela SpaceX representaria, ao mesmo tempo, um risco para operadoras tradicionais e uma oportunidade para o setor de infraestrutura.
A análise foi divulgada logo após a temporada de balanços do segundo trimestre e detalha como uma rede completa da Starlink poderia afetar operadoras como AT&T, Verizon e T-Mobile. Segundo o Citi, essa mudança ampliaria a concorrência no setor de telefonia móvel norte-americano, elevando o número médio de competidores por mercado.
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RISCO PARA AS GRANDES OPERADORAS
O Citi avalia que a construção de uma rede própria pela SpaceX é um risco líquido potencial para AT&T, Verizon e T-Mobile. Segundo o banco, as ações dessas operadoras já são negociadas considerando o risco de a concorrência no setor sem fio crescer para entre 3,5 e 4,5 competidores médios por mercado, ante a estrutura atual de aproximadamente 3,5 players.
A instituição também não descarta a possibilidade de a SpaceX comprar e se fundir com uma operadora de telecomunicações já estabelecida nos Estados Unidos, o que mudaria de forma significativa a dinâmica competitiva do setor. Já a formação de acordos de MVNO da Starlink com as três grandes operadoras norte-americanas é vista pelo Citi como um cenário pouco provável de acontecer no curto prazo.
TORRES DEVEM SE BENEFICIAR
Apesar dos riscos apontados para as operadoras tradicionais, o Citi mantém uma visão positiva sobre as ações de torres de grande porte, como American Tower, Crown Castle e SBA Communications, especialmente após a recente queda nos preços desses papéis no mercado. O banco identifica uma estabilização na atividade de locação orgânica dessas empresas nos últimos meses.
Segundo o Citi, as tendências de longo prazo seguem construtivas para o setor de torres, impulsionadas pelo crescimento do consumo de dados móveis, pelos próximos leilões de espectro no país e pela densificação das redes 5G. Caso a Starlink evolua para se tornar uma provedora móvel completa por meio de rede própria, isso tende a ser um fator positivo para essas ações.
DEMANDA POR DATA CENTERS SEGUE FORTE
O relatório do Citi também trata do segmento de data centers, apontando que os indicadores gerais de demanda permanecem positivos tanto para o segmento hyperscale quanto para o varejo nos Estados Unidos. Enquanto isso, a oferta hyperscale continua restrita em diversos mercados do país, segundo a avaliação da instituição financeira, que soma esse cenário ao das ações de torres.
O banco destaca que as empresas ainda parecem estar em uma fase inicial de adoção da inteligência artificial, o que pode funcionar como um catalisador de crescimento futuro para o setor de data centers. Entre os fatores citados estão a maior demanda por interconexão ligada à IA, o aumento da densidade energética das cargas de trabalho e a força contínua nas reservas e na precificação.
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RECOMENDAÇÕES DO CITI PARA O SETOR
Com base nessa análise, confira como ficaram as recomendações do Citi para as principais empresas citadas no relatório sobre torres e data centers:
- Echo Global (ECHO): cobertura retomada com recomendação de Compra e Alto Risco
- TeraWulf (WULF): cobertura iniciada com recomendação de Compra e Alto Risco
- Black Stone Minerals (BXDC): cobertura iniciada com recomendação Neutra
- Equinix (EQIX): recomendação de Compra mantida
- Digital Realty (DLR): recomendação de Compra mantida
O Citi ainda pontua que, do lado da oferta de data centers, a energia continua sendo um fator limitante para a viabilização de novos projetos no setor. A oposição de comunidades locais à instalação de novos empreendimentos também representa um desafio adicional ao crescimento da oferta nos Estados Unidos nos próximos anos, segundo a instituição.












