Tim Cook anunciou a saída do comando da Apple após 15 anos à frente da companhia, encerrando nesta segunda-feira, 31 de agosto, um dos ciclos mais lucrativos da história da fabricante do iPhone. A partir de 1º de setembro, o executivo assume a presidência do conselho, e John Ternus, até então vice-presidente de engenharia de hardware, se torna o novo CEO da empresa responsável pelo smartphone mais usado entre os clientes das operadoras brasileiras.
A mudança, sediada em Cupertino, na Califórnia, é o desfecho de um plano de sucessão que a Apple confirmou em abril, quando anunciou a saída de Tim Cook e a chegada do novo CEO, informando que ele seguiria no cargo até o fim do verão no hemisfério norte para conduzir a transição ao lado de Ternus. Com a troca, Ternus se torna o oitavo CEO da história da companhia, em meio à forte concorrência global por inteligência artificial.
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DE OPERADOR A SUCESSOR DE JOBS
Cook chegou à Apple em 1998, recrutado por Steve Jobs como vice-presidente sênior de operações mundiais, vindo da Compaq. Sua missão inicial foi reorganizar a cadeia de suprimentos de uma empresa que ainda se recuperava de quase ir à falência nos anos 1990, fechando fábricas próprias e terceirizando a manufatura para parceiros como a Foxconn. Em 2005, foi promovido a diretor de operações, tornando-se o executivo de confiança de Jobs para o dia a dia da companhia.
Em 24 de agosto de 2011, Jobs renunciou ao cargo de CEO por causa da saúde debilitada e indicou Cook, então diretor de operações havia seis anos, como sucessor. O fundador morreria pouco mais de um mês depois, em 5 de outubro daquele ano, deixando Cook à frente de uma empresa avaliada em cerca de US$ 350 bilhões (R$ 1,82 trilhão, pela cotação atual do dólar), e sob desconfiança do mercado sobre sua capacidade de inovar sem Jobs.
QUINZE ANOS DE CRESCIMENTO
Sob Cook, a Apple diversificou o portfólio para além do iPhone, com o lançamento do Apple Watch em 2015 e dos AirPods em 2016, além de expandir a área de serviços, como App Store, iCloud e Apple Pay, que se tornaram um dos pilares financeiros mais estáveis da companhia. Em 2018, a empresa se tornou a primeira companhia americana avaliada em US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões pela cotação atual).
A companhia também liderou, em 2020, a transição dos computadores Mac para chips próprios, abandonando a dependência da Intel em meio à pandemia de covid-19, mudança elogiada pela indústria como um exemplo raro de execução técnica em meio a uma crise logística global. Levantamento do Motley Fool aponta que a gestão Cook somou mais de US$ 851 bilhões (R$ 4,43 trilhões pela cotação atual) em recompras de ações ao longo dos 15 anos.

NÚMEROS DA ERA COOK
- Lucro anual: saltou de US$ 108 bilhões (R$ 534,9 bilhões) para US$ 416 bilhões (R$ 2 trilhões);
- Valor de mercado: cresceu de US$ 350 bilhões (R$ 1,7 trilhão) para cerca de US$ 4,6 trilhões (R$ 23,8 trilhões);
- Novas categorias: Apple Watch, AirPods e o headset de realidade misturada Vision Pro, lançado em 2024;
- Remuneração de Cook em 2025: US$ 74,6 milhões (R$ 370,2 milhões), incluindo salário-base de US$ 3 milhões (R$ 14,8 milhões);
- Patrimônio líquido estimado pela Forbes: US$ 2,2 bilhões (R$ 10,9 bilhões).
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O QUE MUDA PARA AS OPERADORAS
Para o mercado brasileiro de telecomunicações, a troca de comando interessa diretamente às operadoras: o iPhone segue como um dos principais motores de planos pós-pagos e de upgrade para redes 5G no país, além de puxar a adoção de eSIM em aparelhos vendidos por Vivo, Claro e TIM. Qualquer mudança de estratégia de produto sob Ternus tende a repercutir também no varejo local.
A nova gestão assume a Apple em meio a uma cadeia de suprimentos mais complexa, tensões comerciais entre Estados Unidos e China, tarifas impostas durante o governo Donald Trump e escassez de memória RAM ligada à demanda por chips de inteligência artificial, fatores que também afetam o custo de smartphones vendidos no Brasil e, por consequência, os planos e reajustes praticados pelas operadoras locais.
QUEM É JOHN TERNUS
Ternus é vice-presidente sênior de engenharia de hardware e trabalha na Apple há 25 anos, tendo ingressado na empresa quatro anos após se formar em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia. Era amplamente apontado como o principal candidato à sucessão e, à frente do hardware, supervisionou equipes responsáveis pelo desenvolvimento de produtos como iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, AirPods e Vision Pro.
Em comunicado, Cook destacou sua trajetória à frente da empresa: “Foi o maior privilégio da minha vida ser o CEO da Apple e ter tido a confiança para liderar uma empresa tão extraordinária”. Já Ternus afirmou que pretende manter a essência que marcou a companhia nas últimas décadas: “Sou profundamente grato por esta oportunidade de dar continuidade à missão da Apple”.

O DESAFIO QUE FICA PARA TERNUS
O último balanço trimestral de Cook como CEO, divulgado em 30 de julho, mostrou receita recorde de US$ 109,42 bilhões (R$ 569 bilhões) no terceiro trimestre fiscal, mas a reação do mercado foi morna diante de projeções mais conservadoras de crescimento. Assim como Cook precisou provar que sabia lidar com produto em 2011, Ternus assume com a missão de mostrar que também sabe administrar uma companhia avaliada em trilhões de dólares.












