Os noticiários recentes em torno da Starlink têm privilegiado um assunto: a chegada da internet D2D (direct-to-device) da empresa no Brasil.
Inclusive, em matéria publicada no mês passado, noticiamos que a empresa informou à agência reguladora dos EUA que fechou parceria com uma operadora brasileira para oferecer o serviço por aqui, mas ainda não revelou o nome da tele.
Agora, outras notícias informam aquilo que pode ser uma reviravolta nesse movimento. Operadoras, provedoras e entidades estariam “batendo o pé” contra a chegada da internet via satélite de Elon Musk diretamente aos celulares dos usuários.
O que alegam as reclamantes?
Em uma consulta pública realizada recentemente, Unifique, Vivo, Claro e iez! Telecom questionaram a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre as intenções da Starlink de utilizar a banda S e os intentos para implantar o D2D no Brasil.
As teles alegam que conceder esse uso conferiria à divisão de internet da SpaceX uma vantagem competitiva com as demais empresas do setor.
Para o grupo de operadoras, a Starlink deve ser submetida aos mesmos regimes impostos às demais empresas de telecom que atuam no Brasil.
Há o temor, por parte sobretudo de Vivo e Claro, que uma diferenciação de obrigações entre operadoras móveis e empresas de satélite desequilibre o mercado, uma vez que os serviços disponíveis seriam muito parecidos enquanto as empresas satelitais gastariam menos, podendo oferecer preços mais baixos aos consumidores.
Como solução, as reclamantes sugerem que o D2D de empresas como a Starlink só possam ser oferecidas em parceria com operadoras.
LEIA MAIS:
- A Starlink está perdendo velocidade no Brasil, diz Ookla
- Starlink lidera banda larga na zona rural do Brasil, diz estudo
Pedidos de cautela à Anatel
Além da “bronca” das teles brasileiras, a Starlink pode esbarrar em “conselhos” que a Anatel tem recebido de fora do país.
De acordo com a imprensa internacional, a chinesa Huawei e a GSMA, maior associação e operadoras de telecom do mundo, recomendam que a reguladora brasileira espere a Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027, onde a União Internacional de Telecomunicações (UIT) vai apresentar os resultados de um estudo sobre o D2D.
Há a expectativa de que padrões técnicos sejam lançados durante o evento, finalmente formalizando o passo a passo para implantação da internet via satélite nos países membros da UIT.
Uma certeza podemos ter: o serviço D2D da Starlink, e de concorrentes, vai chegar ao Brasil e além. Resta saber quando e como.












