O governo do Japão vai investir quase US$ 1 bi para reduzir a dependência do país em relação ao Starlink, de Elon Musk. O Ministério de Assuntos Internos e Comunicações japonês deve aprovar formalmente e em breve um subsídio de 150 bilhões de ienes a um consórcio liderado pela gigante de tecnologia Rakuten para construir uma rede doméstica de satélites em órbita baixa da Terra.
Segundo o jornal Nikkei Asia, o valor será repassado ao longo de três anos e vai custear tanto a compra de equipamentos quanto a construção de estruturas terrestres para lançamento e controle da nova constelação. A Rakuten deve formar uma joint venture com a americana AST SpaceMobile para tocar o projeto ainda em 2026, visando reforçar a segurança econômica do país asiático.
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PARCERIA COM A AST SPACEMOBILE
A Rakuten, conglomerado japonês com atuação em comércio eletrônico, serviços financeiros e telecomunicações, já negocia formalmente com a AST SpaceMobile a criação de uma joint venture dedicada ao novo sistema de satélites. A proposta prevê conexão direta com smartphones comuns, dispensando qualquer antena ou equipamento adicional por parte do usuário final japonês.

POR QUE REDUZIR A DEPENDÊNCIA DO STARLINK
Atualmente, o Japão depende do Starlink e de outras operadoras estrangeiras para garantir cobertura via satélite em regiões remotas ou atingidas por desastres naturais. Ter uma rede própria é visto pelo governo japonês como uma forma de fortalecer a segurança econômica nacional, diminuindo a exposição a decisões de empresas estrangeiras e criando uma alternativa genuinamente japonesa ao serviço de Elon Musk.
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LIÇÃO DO TERREMOTO DE NOTO
O caso do terremoto na península de Noto, ocorrido em 2024, ajudou a acelerar os planos japoneses. Na ocasião, o Starlink foi essencial para restabelecer comunicações enquanto a infraestrutura terrestre seguia danificada, o que reforçou o argumento de que o Japão precisa de uma alternativa nacional para cenários de emergência e catástrofes naturais futuras.
REAÇÃO DO MERCADO
A notícia do subsídio repercutiu na bolsa japonesa: as ações da Rakuten chegaram a subir quase 8% após a publicação do relatório do Nikkei, atingindo a maior cotação desde o início de junho. O movimento acompanhou a valorização mais ampla de papéis do setor de tecnologia e semicondutores no país durante o pregão, em meio a um trimestre de fortes ganhos para o índice Nikkei 225.
ALCANCE ALÉM DAS GRANDES CIDADES
Redes de satélite com conexão direta a celulares também têm potencial para levar comunicação a áreas montanhosas e ilhas remotas do arquipélago japonês, onde instalar infraestrutura terrestre tradicional é mais caro e complexo. Por ora, nenhuma outra empresa japonesa formalizou pedido de subsídio semelhante junto ao governo, o que deixa a Rakuten na liderança isolada do projeto nacional.












