Imagem: VCG via Getty Images/Reprodução

Homem ‘confessa’ plano para matar filho ao ChatGPT e é preso

A Polícia Civil do Espírito Santo recebeu a denúncia diretamente da OpenAI, que disponibilizou os chats.

Goodanderson Gomes
4 min de leitura

Foi preso em São Gabriel da Penha, no Espírito Santo, um homem acusado de planejar a morte do filho de apenas oito anos, dentre outros crimes.

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O indivíduo, que tem 36 anos e não teve o nome revelado, confessou seus intentos ao ChatGPT, que informou a situação ao FBI. Por fim, a denúncia chegou à Polícia Civil do ES.

De acordo com a PCES, o homem confessou os crimes a ele atribuídos, mas negou que tivesse interesse real de assassinar o próprio filho.

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Das confissões à prisão

Conforme apuraram veículos de mídia norte-americanos e confirmado por sites brasileiros, como UOL e G1, tudo começou quando a OpenAI, empresa que controla o ChatGPT, avisou ao FBI, a polícia federal dos EUA, que um homem brasileiro teria confessado crimes durante uma conversa.

Nas tais conversas o indivíduo “desabafou” algumas situações, questionou a origem de seus próprios comportamentos e pediu “dicas” à inteligência artificial.

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Por sua vez, o FBI fez contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que então acionou a Polícia Civil do Espírito Santo para investigar o caso.

Durante a investigação ficou comprovado que o homem, residente na zona rural de São Gabriel da Penha, de fato confessou o planejamento da morte do filho. O motivo? Ele queria se livrar do pagamento de pensão alimentícia.

Em dado momento, o pai confessou que tentou contratar um matador de aluguel, oferecendo R$ 50 mil pela eliminação do menino. Ao saber que o alvo era uma criança, o pistoleiro desistiu do “serviço”.

Noutro trecho das mensagens obtidas pela PCES, ele afirma ter elementos como corda, arma e determinada quantidade de cianeto (um poderoso veneno), que poderiam ser usados no assassinato.

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Outros crimes confessados

Além do plano para matar o próprio filho, o capixaba de 36 anos planejava ataques a igrejas e escolas, afirmando que “queria matar a maior quantidade de pessoas possível”.

Inclusive, em dado momento, o homem questionou ao ChatGPT de onde viria a “vontade de matar” e confessa que “sentia prazer” em ver outras pessoas sofrendo.

Durante a coletiva de imprensa convocada para dar detalhes sobre o caso, a Polícia Civil do ES afirmou não ter as respostas dadas pelo ChatGPT, apenas as mensagens enviadas pelo homem.

Ele ainda não foi indiciado formalmente, o que deve acontecer em breve. Os crimes atribuídos serão os de ameaça, incitação ao crime e tentativa de homicídio.

Há privacidade nas IAs?

Como já era esperado, esse caso tem levantado debates desde que foi noticiado. Em meio ao burburinho, uma questão principal se coloca: quais são os limites da privacidade no âmbito das plataformas de IA?

Se por um lado a denúncia feita pela OpenAI ao FBI salvou a vida de uma criança no Brasil, por outro, fica claro que as donas das IAs têm acesso ao que é tratado com as LLMs. Dados os “benefícios”, fica a dúvida sobre até que ponto isso é ético.

Afinal, da mesma forma que um criminoso confesso pode ter seus intentos detectados, segredos profissionais, confissões pessoais não criminosas e outros assuntos delicados também chegam ao conhecimento de companhias como a OpenAI.

Não à toa, governos, entidades representativas e outros organismos têm cobrado explicações às big techs sobre como dados de usuários são tratados e até que ponto a privacidade é garantida.

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