A Poste Italiane definiu um cronograma para concluir a aquisição da TIM e pretende fechar a venda no terceiro trimestre de 2026. O anúncio foi feito nesta quinta-feira 7) pelo grupo italiano, junto à divulgação dos resultados do primeiro trimestre, que superaram as expectativas e levaram a empresa a elevar suas projeções financeiras para o ano.
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A oferta pública voluntária, avaliada em €10,8 bilhões, foi lançada em março deste ano e prevê pagamento misto aos acionistas da TIM: €0,167 em dinheiro mais 0,0218 novas ações da Poste por cada papel da operadora, representando prêmio de cerca de 9% sobre o preço de mercado à época do anúncio.
Caso concluída, a operação retiraria a TIM da bolsa de valores e devolveria à Telecom Italia o status de empresa sob controle estatal, condição que não ocorre há três décadas.
CONSOLIDAÇÃO DO SETOR
O CEO da Poste Italiane, Matteo Del Fante, afirmou que a convicção estratégica sobre a aquisição foi reforçada pelos resultados sólidos do trimestre. Segundo ele, a combinação das operações de telecomunicações da Poste com o segmento consumidor da TIM criaria o maior operador móvel da Itália, dando início a uma nova fase de consolidação doméstica no setor.
Del Fante destacou que “graças ao nosso forte balanço patrimonial e à robusta geração de caixa, estamos em posição única para suportar investimentos digitais e acelerar iniciativas estratégicas voltadas ao crescimento.” A declaração reforça a confiança da Poste no potencial da operação para transformar o mercado italiano de telecomunicações.

A operação conta com o apoio do governo italiano: o Ministério da Economia e Finanças detém cerca de 64% da Poste Italiane, parte por meio do banco de investimentos Cassa Depositi e Prestiti. Se concluída a aquisição, o Estado italiano permaneceria como acionista majoritário do grupo resultante, com participação superior a 50%.
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DESEMPENHO DA TIM NO 1º TRIMESTRE
A própria TIM divulgou seus resultados do primeiro trimestre nesta quinta-feira, mas optou por não comentar a oferta da Poste Italiane. O grupo registrou crescimento de receita de 1,4% no consolidado, atingindo €3,3 bilhões. O desempenho teria sido ainda mais expressivo, com alta de 3,1%, se excluída a operação de MVNO da conta.
O resultado foi impactado pela perda de um importante cliente MVNO: a Coop Voce, segunda maior virtual da Itália, que migrou para a Vodafone como rede hospedeira exclusiva em meados de 2025. No segmento TIM Consumer, as receitas recuaram 3% no trimestre, para €1,44 bilhão, penalizadas pela saída da Coop Voce e por menores vendas de produtos fixos.
Ainda assim, o CEO da TIM, Pietro Labriola, destacou “uma linha de receita resiliente” no segmento Consumer. Excluindo o impacto do MVNO, as receitas cresceram 0,6% na comparação anual. O ARPU avançou 5,4% no segmento fixo e 1% no móvel, fruto de reajustes de preços que, segundo a empresa, não geraram aumento relevante de churn.
COMO FICA A TIM BRASIL
A TIM Brasil seguiu como um dos pilares de crescimento do grupo, com receitas avançando 6,4% para €1,1 bilhão e lucro antes de impostos crescendo 4,3% para €0,4 bilhão no trimestre. A operação brasileira continua sendo vista como estratégica tanto pela TIM quanto pela Poste Italiane, que reforçou o Brasil como fundamental em seus planos de expansão após o anúncio da oferta.
Com a possível conclusão da venda da matriz italiana, a TIM Brasil pode passar por mudanças relevantes em sua estrutura de controle acionário. A Poste Italiane, ao assumir o comando da Telecom Italia, se tornaria indiretamente a controladora da operação brasileira, o que pode abrir espaço para novos aportes, revisão de estratégias de expansão e até mudanças na governança local, a depender dos planos do novo controlador para o mercado brasileiro de telecomunicações.












